Nove milhões de pessoas precisam de ajuda emergencial; 4,5 milhões de pessoas estão em insegurança alimentar grave; e 2,5 milhões de pessoas foram forçadas a deixar suas casas, destacou o coordenador regional humanitário da ONU para o Sahel, Toby Lanzer, após concluir sua quinta visita ao nordeste da Nigéria.

Em agosto, crianças deslocadas internamente na Nigéria aguardam distribuição de alimentos em campo no estado de Borno, nordeste do país. Foto: UNICEF/Andrew Esiebo
A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou na segunda-feira (22) que está aumentando a assistência humanitária nas áreas do nordeste da Nigéria recentemente recuperadas das milícias terroristas do Boko Haram, onde avaliações iniciais revelaram que pessoas enfrentam graves problemas de saúde e precisam de ajuda emergencial.
“Nove milhões de pessoas precisam de assistência emergencial; 4,5 milhões de pessoas estão em insegurança alimentar grave; e 2,5 milhões de pessoas foram forçadas a deixar suas casas devido aos conflitos”, destacou o coordenador regional humanitário da ONU para o Sahel, Toby Lanzer, após concluir sua quinta visita ao nordeste do país.
Segundo a OMS, as taxas de mortalidade são quatro vezes maiores que as encontradas em algumas das 15 áreas do governo local anteriormente detidas pelo grupo armado. Além disso, casos de sarampo também foram relatados na área, e os dois casos de poliomielite encontrados no país pela primeira vez em dois anos ocorreram no estado de Borno.
“Situações prolongadas de conflito, tais como as que estão sendo vistas no nordeste da Nigéria e nos países vizinhos da Bacia do Lago Chade — Camarões, Chade e Níger — estão entre as maiores ameaças mundiais à saúde”, ressaltou o diretor-executivo do Programa de Emergências de Saúde da OMS, Peter Salama, em um comunicado à imprensa.
“Esses conflitos não são só associados a maiores taxas mundiais de mortalidade entre crianças e mulheres grávidas, como também representam um terreno fértil para doenças infecciosas e epidemias, e são muitas vezes negligenciados pela comunidade internacional”, acrescentou.
A OMS destacou que o objetivo imediato é reduzir urgentemente as taxas de morte e de doenças através da “rápida ampliação dos serviços de saúde destinados a salvar vidas”.
A agência disse ainda que vai trabalhar em estreita colaboração com as autoridades locais e agências especializadas para tratar os riscos para a saúde colocados pela desnutrição, pelos surtos de doenças e pela falta de acesso a serviços médicos básicos.
De acordo com Peter Salama, o ambiente de trabalho nas áreas afetadas é extremamente desafiador e os recursos necessários para atender as lacunas dos serviços de saúde são completamente inadequados.
Salama observou ainda que a insegurança é uma grande preocupação, ressaltando uma série de recentes ataques contra agentes humanitário, e disse que o acesso às áreas do governo, que exigem escolta militar por longas distâncias, dificultam a entrega de ajuda.
De acordo com a OMS, um pessoal especializado já foi enviado ao país para operações de emergência, coordenação e gestão de dados, e uma equipe da agência está atuando no estado de Borno para ajudar a conter o surto de poliomielite.
O governo também lançou programas emergenciais de vacinação contra a poliomielite, com o apoio da OMS e parceiros. A primeira rodada de vacinação, que pretende alcançar um milhão de crianças, deve ser concluída em breve.
A agência calcula que as necessidades de financiamento para o setor de saúde na Nigéria são estimadas em cerca de 25 milhões de dólares, como parte do plano de resposta humanitária global ao país.
Necessidade de ajuda alimentar
Em torno de 4,5 milhões de pessoas necessitam de assistência alimentar no nordeste da Nigéria, quase o dobro em relação a março deste ano, destacou uma análise realizada em meados de agosto por várias agências, incluindo o Programa Mundial de Alimentos (PMA).
“Todas as indicações apontam para uma situação extremamente grave”, disse o diretor regional da agência da ONU para a África Ocidental, Abdou Dieng, em comunicado à imprensa.
Nos estados de Borno, Yobe e Adamawa, o número de pessoas “lutando com insegurança alimentar grave” ou em “situação de emergência” aumentou quatro vezes desde março, ultrapassando um milhão.
A escalada da violência provocada pelo grupo Boko Haram nesses estados tem provocado o deslocamento da população, a interrupção dos meios de subsistência e a insegurança alimentar aguda. Além disso, estima-se que mais de 65 mil pessoas em áreas recém-libertadas podem estar em situações similares a fome, e ainda estão inacessíveis nos estados de Borno e Yobe.
A avaliação do PMA também destacou o aumento dos preços alimentares em áreas afetadas pelo grupo armado, ressaltando que um agravamento na economia pode aumentar o número de pessoas em necessidade urgente em milhões já no próximo mês.
As famílias em situação de emergência têm mendigado, contraído dívidas ou pulado refeições para sobreviver, informou o PMA. Muitos pessoas estão reduzindo o consumo de alimentos a apenas uma vez ao dia.
Para responder à situação alarmante, o PMA está ampliando a sua resposta, a fim de chegar a mais de 700 mil pessoas com alimentos e ajuda em dinheiro nos próximos meses. A ajuda incluirá alimentos nutritivos especializado para 150 mil crianças menores de cinco anos