Nações Unidas demonstram preocupação com série de linchamentos no Malauí

Escritório de direitos humanos da ONU disse que, nos últimos dois meses, ao menos nove linchamentos foram registrados no país, nos quais 16 pessoas morreram.

Moradores fazem fila para receber suprimentos no norte do Malauí, país que vem enfrentando onda de linchamentos. Foto: IRIN

Moradores fazem fila para receber suprimentos no norte do Malauí, país que vem enfrentando onda de linchamentos. Foto: IRIN

O escritório de direitos humanos das Nações Unidas expressou na terça-feira (5) forte preocupação com o crescente número de linchamentos no Malauí desde o início no ano, e pediu que as agências governamentais apoiem a polícia e fortaleçam a aplicação da lei no país para combater esse tipo de violência.

“Nos últimos dois meses, ao menos nove incidentes separados foram reportados no país, nos quais 16 pessoas foram mortas”, disse Cécile Pouilly, porta-voz do Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH), durante coletiva de imprensa em Genebra.

De acordo com Pouilly, em 28 de março, uma multidão invadiu uma delegacia de polícia em Dedza, a cerca de 85 km da capital, Lilongwe, retirou um homem acusado de assassinato e o matou. Em outro incidente, em 1º de março, sete pessoas suspeitas de traficar ossos humanos foram atacadas e queimadas vivas por uma multidão enfurecida no distrito de Nsanje, no sul do Malauí, acrescentou.

Em 25 de janeiro, quatro membros da mesma família foram linchados até a morte por uma multidão após terem sido acusados de “bruxaria” para matar uma menina de 17 anos no distrito de Neno. Em outro incidente, em 3 de fevereiro, os moradores do município de Blantyre, segunda maior cidade do Malauí, colocaram fogo em um tribunal, aparentemente para evitar a libertação de três homens suspeitos de assassinato, segundo a porta-voz.

“Damos boas vindas ao comunicado emitido em 30 de março pelo presidente Arthur Mutharika condenando fortemente esses crimes e pedindo que todos os cidadãos, [organizações não governamentais] e agências governamentais apoiem a polícia do Malauí em sua luta contra os linchamentos, de acordo com a lei”, disse Pouilly.

Ela também pediu que autoridades do Malauí ajam rapidamente para identificar e processar os envolvidos nos assassinatos e para oferecer indenização às vítimas.

“Também pedimos que as autoridades resolvam as raízes do problema desses ataques e lancem uma campanha de alerta para encorajar a população a reportar esses crimes à polícia, em vez de fazer justiça com as próprias mãos”, declarou Pouilly.