ONU pede negociações urgentes pela paz no Egito

Forças de segurança atacaram partidários do presidente deposto Mohamed Morsi. Governo admite que mais de 500 pessoas foram mortas, enquanto Irmandade Muçulmana fala em mais de 2 mil.

Partidários do presidente deposto Mohamed Morsi se manifestam em praça do Cairo. Foto: IRIN/ Saeed Shahat

A chefe da ONU para Direitos Humanos, Navi Pillay, pediu nesta quinta-feira (15) que todos os lados no Egito evitem mais atrocidades, um dia após violência que deixou centenas de mortos e feridos no país.

“Lamento a perda de vidas e apelo a todos no Egito para buscarem uma saída para a violência. Solicito às autoridades egípcias e às forças de segurança que ajam com a máxima moderação”, disse Pillay.

Na quarta-feira (14), forças do governo atacaram, em várias cidades do país, partidários do presidente deposto Mohamed Morsi. Funcionários do Governo disseram que mais de 500 foram mortos, enquanto a Irmandade Muçulmana afirma que foram mais de 2 mil.

“O número de pessoas mortas ou feridas, ainda de acordo com números do governo, aponta para um uso excessivo, até extremo, da força contra os manifestantes. Deve haver uma investigação independente, imparcial, eficaz e crível da conduta das forças de segurança. Qualquer pessoa considerada culpada de delito deve ser responsabilizada”, disse Pillay.

“Houve também alegações de que alguns manifestantes estavam fortemente armados. Os manifestantes também devem garantir que suas reuniões permaneçam pacíficas”, acrescentou Pillay.

Sobre o anúncio feito pelas autoridades egípcias de ativar o estado de emergência nacional com duração de um mês, a alta comissária da ONU afirmou que deve ser implementado em conformidade com as obrigações do Egito sob o direito internacional. Neste contexto, é de extrema importância que o Estado de Direito e os direitos humanos sejam respeitados e protegidos.

Pillay explicou que, sob o Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos, do qual o Egito é signatário, mesmo em tempos de emergência ninguém será arbitrariamente privado de sua vida ou sujeito à tortura ou outros tratamentos e punições cruéis, desumanas ou degradantes.

O Egito passava por uma transição democrática após manifestações populares levaram à queda do presidente Hosni Mubarak. No mês passado, após novos protestos com dezenas de mortos e feridos, o Exército depôs o presidente Mohamed Morsi. A Constituição foi suspensa e um governo interino assumiu o poder.