Uma redução imediata de tensões é necessária no Mar de Azov e no Mar Negro, afirmou na segunda-feira (26) a principal autoridade política das Nações Unidas, destacando a importância de “tentativas sérias” de encontrar uma resolução pacífica aos anos de conflito latente entre Rússia e Ucrânia.
Em briefing ao Conselho de Segurança, após o confronto no domingo (25) entre navios dos dois países vizinhos na costa da Crimeia, a subsecretária-geral da ONU para Assuntos Políticos, Rosemary DiCarlo, pediu que os países “se abstivessem de qualquer agravamento de ações ou retórica”.

A subsecretária-geral da ONU para Assuntos Políticos, Rosemary DiCarlo, durante briefing ao Conselho de Segurança. Foto: ONU/Eskinder Debebe
Uma redução imediata de tensões é necessária no Mar de Azov e no Mar Negro, afirmou na segunda-feira (26) a principal autoridade política das Nações Unidas, destacando a importância de “tentativas sérias” de encontrar uma resolução pacífica aos anos de conflito latente entre Rússia e Ucrânia.
Em briefing ao Conselho de Segurança, após o confronto no domingo (25) entre navios dos dois países vizinhos na costa da Crimeia,
“Lembramos ambos (Rússia e Ucrânia) da necessidade de controlar este incidente para impedir um agravamento sério que pode ter consequências imprevisíveis”, disse.
O incidente envolvendo navios dos dois países aconteceu na costa da Crimeia, que foi anexada pela Rússia em 2014.
Segundo a imprensa internacional, o Parlamento da Ucrânia decidiu na segunda-feira (26) declarar lei marcial depois de navios russos atirarem contra embarcações do país na costa da Crimeia, região da Ucrânia anexada pela Rússia em 2014. Moscou afirma que os navios haviam “entrado em suas águas ilegalmente”.
DiCarlo relembrou pedidos anteriores para todas as partes evitarem quaisquer medidas unilaterais que possam aprofundar a divisão ou afastá-las do espírito e da carta dos Acordos de Minsk, que estabeleceram as medidas necessárias para restaurar a paz nas regiões orientais da Ucrânia.
Ela afirmou que a ONU apoia integralmente esforços regionais para encontrar um acordo pacífico e que “ação renovada e construtiva” é necessária por parte de todos os envolvidos para superar o aparente impasse em negociações diplomáticas.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, também destacou a necessidade de evitar maior agravamento da situação na região do Mar Negro. Em comunicado emitido por seu escritório, o chefe da ONU pediu para os dois países “exercerem máxima sensatez” e adotarem medidas, sem atrasos, para conter o incidente e reduzir tensões através de todos os meios pacíficos disponíveis, em conformidade com a Carta da ONU.
“Ele destaca a necessidade de respeitar integralmente os direitos e as obrigações de todas as partes envolvidas sob instrumentos internacionais relevantes”, destacou seu escritório em comunicado, acrescentando que soberania e integridade territorial da Ucrânia, dentro de suas fronteiras reconhecidas internacionalmente, em conformidade com resoluções relevantes da Assembleia Geral e do Conselho de Segurança, também devem ser respeitadas.
Em fevereiro de 2014, a situação na Ucrânia passou de uma crise política para um confronto violento e, posteriormente, se tornou um conflito em larga escala entre forças do governo e separatistas, no leste do país.
O encontro de segunda-feira (26) do Conselho de Segurança seguiu uma votação processual que rejeitou a agenda do primeiro dia de reunião sobre a questão, solicitada pela Rússia, que argumentou que suas fronteiras no mar haviam sido violadas pela Ucrânia.
A proposta na agenda do encontro havia recebido quatro votos a favor (Bolívia, China, Cazaquistão, Rússia), sete contra (França, Kuwait, Holanda, Polônia, Suécia, Reino Unido, Estados Unidos) e quatro abstenções (Costa do Marfim, Guiné Equatorial, Etiópia, Peru).
O primeiro vice-representante permanente da Rússia para a ONU, Dmitry A. Polyanskiy, argumentou que embarcações navais ucranianas haviam cruzado “ilegalmente” para território russo e não haviam reconhecido esforços feitos por navios russos para alertá-las. Tais ações foram uma violação à Carta da ONU e normas da lei internacional, afirmou.
“Nós consideramos tais passos uma violação da soberania russa”, acrescentou Polyanskiy, elogiando o que descreveu como sensatez e profissionalismo mostrados por agentes aduaneiros russos, que agiram para prevenir qualquer perda de vida durante o incidente.
Ele disse que responsabilidade foi “apoiada pelas pessoas” que deram à tripulação ucraniana “o comando ilegal”. Polyanskiy disse a membros do Conselho que as embarcações ucranianas estavam sendo mantidas em portos russos, pendendo uma investigação.
Em um segundo encontro no mesmo dia, Volodymyr Yelchenko, representante permanente da Ucrânia para a ONU, informou o Conselho de Segurança sobre os relatos de seu país sobre os acontecimentos, afirmando que o que foi dito pelo representante russo foi uma “mentira descarada”.
“O mundo caiu” em 25 de novembro, disse, quando uma das embarcações ucranianas, esperando para cruzar o Estreito de Kerch, que liga o Mar Negro e o Mar de Azov, foi atingida por um navio da guarda costeira russa, danificando-a.
“O vídeo deste ataque está disponível online. Se você assisti-lo, pode ver claramente que a embarcação ucraniana tentava evitar a colisão, enquanto o navio russo estava deliberadamente realizando o ataque”, acrescentou.
Após o incidente, navios russos impediram outros navios ucranianos de fornecer qualquer assistência, disse, acrescentando que as embarcações ucranianas – incapazes de passar pelo estreito e tentando se mover para mares abertos – foram seguidas por diversos navios russos, forçadas a parar e tomadas por forças russas.