Nada justifica ataques contra crianças, diz UNICEF após mortes na Síria

Em uma semana marcada pelo assassinato registrado em vídeo de um menino de 12 anos em Alepo e a morte de mais de 20 crianças durante ataques aéreos em Manbij, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) pediu o fim imediato de todas as formas de violência contra crianças na Síria, e chamou as partes no conflito a evitar a morte de civis.

Brinquedos em meio a destroços de casa destruída por bombardeio na Síria. Foto: UNICEF/Romenzi

Brinquedos em meio a destroços de casa destruída por bombardeio na Síria. Foto: UNICEF/Romenzi

Em uma semana marcada pelo assassinato registrado em vídeo de um menino de 12 anos em Alepo e a morte de mais de 20 crianças durante ataques aéreos em Manbij, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) pediu o fim imediato de todas as formas de violência contra crianças na Síria, e chamou as partes no conflito a evitar a morte de civis.

A agência estimou que 35 mil crianças estejam isoladas em Manbij, área rural da província de Alepo, sem um local seguro para se proteger. Além disso, desde a intensificação dos confrontos nas últimas seis semanas, cerca de 2,3 mil pessoas, incluindo dezenas de crianças, foram mortas.

“Absolutamente nada justifica os ataques contra crianças”, disse Hanna Singer, representante do UNICEF na Síria, em comunicado publicado na quarta-feira (20). “Não importa onde elas estejam e sob controle de quem vivem”, enfatizou.

Somente nesta semana, mais de 20 crianças foram mortas em ataques aéreos em Manbij, e um menino de 12 anos foi brutalmente assassinado diante das câmeras em Alepo.

De acordo com informações recebidas pela agência, famílias do vilarejo de al-Tukhar, perto de Manbij e a cerca de 80 km de Alepo, estavam se preparando para fugir quando ataques aéreos ocorreram.

Em comunicado, representante do UNICEF também informou que tais incidentes são um lembrete de que é responsabilidade das partes no conflito respeitar as leis humanitárias internacionais que protegem crianças nas guerras.

“Deploramos todas as formas de violência e pedimos que todas as partes no conflito se esforcem para evitar a perda de vidas civis”, disse Singer. “Todas as formas de violência contra crianças precisam acabar imediatamente”.

Centenas de milhares de civis estão isolados em Alepo, Manbij e outras cidades sírias enquanto o conflito entre governo e forças de oposição continuam nos arredores.

Na semana passada, o alto comissário da ONU para direitos humanos, Zeid Ra’ad Al Hussein, expressou sérias preocupações sobre a segurança e a necessidade das partes no conflito de garantir que nenhum mal ocorrerá a essas pessoas.

OMS condena ataques contra hospitais

A Organização Mundial da Saúde (OMS) condenou na terça-feira (19) os ataques contra hospitais em Alepo e Idlib. A agência também ofereceu suas condolências às famílias e colegas da equipe de saúde e pacientes mortos em diversos ataques que ocorreram nas últimas semanas.

Em 16 de julho, o hospital Omar Ibn Abdel Aziz, localizado no bairro de Al-Maadi, leste de Alepo, foi atingido por bombardeios e diversos membros da equipe de saúde ficaram feridos. O hospital foi novamente atingido alguns dias depois, o que causou danos significativos em sua infraestrutura.

Esses eventos representam um sério revés para a comunidade local e um desafio adicional para o trabalho humanitário na Síria, segundo a OMS. “É inaceitável que tais ataques contra a saúde, que violam a lei humanitária internacional, estejam aumentando em frequência e escala”, disse a agência em comunicado.