Nadador refugiado reduz tempo nas eliminatórias, mas fica fora das semifinais

Em sua estreia nos Jogos Olímpicos Rio 2016, o nadador sírio integrante da Equipe Olímpica de Atletas Refugiados, Rami Anis, conseguiu reduzir seu tempo nas eliminatórias dos 100 metros livre. Mas superar seus limites não foi suficiente para levá-lo às semifinais da competição, pois ficou em 56º lugar no ranking geral, com o tempo de 54s25.

Rami deixou a Síria há cerca de cinco anos, pois se recusava a participar da guerra que devasta seu país. Foto: COI

Rami deixou a Síria há cerca de cinco anos, pois se recusava a participar da guerra que devasta seu país. Foto: COI

Em sua estreia nos Jogos Olímpicos Rio 2016, o nadador sírio integrante da Equipe Olímpica de Atletas Refugiados, Rami Anis, conseguiu reduzir seu tempo nas eliminatórias dos 100 metros livre. Mas superar seus limites não foi suficiente para levá-lo às semifinais da competição, pois ficou em 56º lugar no ranking geral, com o tempo de 54s25.

Entretanto, Rami volta às piscinas da Rio 2016 na quinta-feira (11), na disputa dos 100 metros borboleta. “Que sentimento maravilhoso, parecia um sonho. Não quero acordar. Só de ficar na sala de espera do Parque Aquático foi fantástico”, afirmou Rami após competir no Estádio Aquático Olímpico.

“A disputa de hoje não é minha especialidade. Na verdade, foi uma preparação para minha segunda participação na Rio 2016, ainda nesta semana”, completou o nadador sírio, que é refugiado na Bélgica.

Rami é um dos dez integrantes da Equipe Olímpica de Atletas Refugiados, a primeira deste tipo na história das Olimpíadas. Os atletas não representam seus países de origem ou de refúgio — mas competem sob a bandeira dos Jogos Olímpicos, com os famosos cinco anéis interligados.

A criação da equipe e a participação dos atletas refugiados nos Jogos é uma iniciativa do Comitê Olímpico Internacional (COI), que tem o apoio da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR).

Há cerca de dois anos, o COI solicitou ao ACNUR que identificasse refugiados com capacidades esportivas. Cerca de 50 nomes foram selecionados e repassados ao COI, que trabalhou com os comitês e federações nacionais na seleção e qualificação dos atletas.

Em outubro de 2015, o presidente do COI, Thomas Bach, anunciou na Assembleia Geral da ONU que refugiados participariam das Jogos Rio 2016, e a equipe foi efetivamente anunciada em junho deste ano.

“Não representar meu país é uma sensação estranha, mas infelizmente a guerra na Síria me impediu de competir em nome dele. Espero que nos Jogos de Tóquio 2020 esta guerra já tenha terminado e eu esteja de volta para competir sob sua bandeira. Nada é mais precioso que nossa terra natal”, afirmou Rami.

O jovem de 25 anos deixou a Síria há cerca de cinco, pois se recusava a participar da guerra que devasta seu país. Ele e a família se refugiaram na Turquia, e de lá seguiram para a Bélgica, aonde chegaram em outubro do ano passado. Desde então, ele tem treinado no Royal Ghent Swimming Club, sob os cuidados da ex-nadadora olímpica Carine Verbauwen.

Rami promete mais emoções nesta quinta-feira, quando volta às piscinas da Rio 2016. “Os 100 metros borboleta são minha especialidade. Espero fazer o melhor possível”, afirmou.

O nadador compõe a equipe com outros nove atletas refugiados de Sudão do Sul, Etiópia, República Democrática do Congo e Síria.

Por Luiz Fernando Godinho e Miguel Pachioni, do Rio de Janeiro