‘Não há nenhuma evidência de que a pena de morte impeça algum crime’, declara representante da ONU

De acordo com Simonovic, a pena de morte, na prática, é “aplicada com demasiada frequência para os pobres e marginalizados” ao invés dos ricos e poderosos que são os que realmente comandam o negócio das drogas.

Rodrigo Gularte, brasileiro que pode ser executado ainda este mês na indonésia. Foto: reprodução

Rodrigo Gularte, brasileiro que pode ser executado ainda este mês na indonésia. Foto: reprodução

Em debate da ONU, em Genebra, o subsecretário de Direitos Humanos da ONU, Ivan Simonovic, mostrou preocupação nesta quarta-feira (04) com a utilização da pena de morte por alguns países como forma de inibir crimes.

Apesar do progresso nos últimos anos para que a pena de morte seja abolida universalmente, o desafio ainda persiste. De acordo com Simonovic, a pena de morte, na prática, é “aplicada com demasiada frequência para os pobres e marginalizados” ao invés dos ricos e poderosos que são os que realmente comandam o negócio das drogas.

“Nós podemos fazer melhor. Não precisamos matar imigrantes, minorias, os pobres e desafortunados para mostrar que estamos comprometidos com o combate ao crime”, declarou Simonovic.

Atualmente, 160 países aboliram totalmente a medida ou nunca a adotaram. Nos últimos seis meses, Chade, Fiji e Madagascar abandonaram a prática. Entretanto, a pena de morte foi introduzida ou preservada por outros países. Segundo Simonovic em 2013, mais nações passaram a usar a pena capital e mais pessoas foram executadas do que em 2012.

O Brasil não permite a pena de morte, mas em 2015 este tema entrou em pauta no país com a execução em janeiro do brasileiro Marco Archer, de 52 anos, na Indonésia, condenado por tráfico de drogas. Outro brasileiro, Rodrigo Muxfeldt Gularte, aguarda no corredor da morte pelo mesmo crime.

O subsecretário enfatizou que se por um lado os crimes ligados às drogas precisam ser combatidos, o foco deveria ser fortalecer o sistema de justiça, fazendo-o mais efetivo. E acrescentou que apesar da opinião pública não poder ser ignorada, um país preocupado com os direitos humanos não deveria aceitar pesquisas de opinião como forma de manter a pena de morte.