Não há saída fácil para Síria, afirma chefe da ONU para Direitos Humanos ao pedir solução política

Navi Pillay destaca dúvida sobre o uso de armas químicas no país e critica comunidade internacional por atraso na tomada de medidas conjuntas para conter a violência.

Chefe da ONU para Direitos Humanos, Navi Pillay. Foto: ONU/Jean-Marc Ferré

A chefe das Nações Unidas para direitos humanos, Navi Pillay, afirmou nesta segunda-feira (9), durante abertura da 24ª sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra, na Suíça, que uma pequena dúvida permanece sobre o uso de armas químicas na Síria e pediu solução política para o conflito em razão do sofrimento que atingiu níveis inimagináveis no país.

Para Pillay, a comunidade internacional “está muito atrasada para tomar medidas conjuntas sérias com intuito de conter a violência que assola a Síria”, onde mais de 100 mil pessoas foram mortas, 4 milhões deslocadas dentro de suas fronteiras e outras 2 milhões fugiram para países vizinhos. O conflito começou em março de 2011 com um levante contra o presidente Bashar al-Assad.

A alta comissária da ONU observou que o uso de armas químicas é visto há muito tempo como um dos crime mais graves que podem ser cometidos, mas que agora parece haver dúvidas sobre a utilização na Síria e é preciso esclarecer circunstâncias e responsabilidades.

“Esta terrível situação pede uma ação internacional, mas uma resposta militar ou o fornecimento contínuo de armas pode incendiar uma conflagração regional, possivelmente resultando em muito mais mortes e mais miséria generalizada”, disse Pillay, acrescentando que, embora não haja caminhos fáceis nem óbvios para sair deste “pesadelo”, os Estados-Membros, juntamente com a ONU, devem encontrar uma maneira de trazer as partes em conflito à mesa de negociações.

Pillay declarou, ainda, estar alarmada com a continuação da violência no Egito e pediu investigações independentes e transparentes sobre assassinatos e outras violações que ocorreram nas últimas semanas e anteriores.

“O caminho para a estabilidade no Egito reside na sua capacidade de estabelecer o Estado de Direito de forma inclusiva, garantindo que todos os egípcios, independentemente da sua opinião política, sexo, religião ou status, sejam reconhecidos como legítimos interessados no futuro de seu país”, disse, acrescentando que aguarda uma resposta positiva a um pedido para enviar ao país uma missão de avaliação sobre a situação dos direitos humanos.