‘Não há solução militar para a Síria’, reafirma enviado especial da ONU

Para Staffan de Mistura, apenas um processo político abrangente e transformador pode pôr fim ao conflito e acabar com o terrorismo no país.

Refugiados sírios atravessam a fronteira rumo à Jordânia. Foto: ACNUR/N. Daoud

Refugiados sírios atravessam a fronteira rumo à Jordânia. Foto: ACNUR/N. Daoud

“Vencer o terrorismo só será possível por meio de um processo político paralelo de abrangência plena e transformador”, disse o enviado especial da ONU para a Síria, Staffan de Mistura, nesta segunda-feira (12) em Genebra, Suíça.

“É importante lembrar que a maior parte dos refugiados deixou a Síria muito antes do Estado Islâmico do Iraque e do Levante (ISIL) tomar quase um terço do país. Na verdade, eles foram embora por causa da luta entre o governo e o que era chamada na época de oposição convencional”, acrescentou.

Ele afirmou que a intervenção militar russa adicionou uma “nova dinâmica” ao conflito e observou que viajaria a Moscou na mesma noite para discutir essa questão. “Não há nenhuma solução sustentável militar à vista e, acredito, que todos saibam isso, incluindo os russos, americanos, o governo sírios e os atores regionais”.

Apesar da aprovação do seu plano para alcançar a paz pelo Conselho de Segurança, Mistura afirmou que neste domingo (11) a oposição desistiu de participar dos processos decisórios envolvendo diferentes atores sírios, “devido às atuais atividades militares russas e dúvidas sobre os resultados dos grupos de trabalho”.

O representante da ONU pediu por um cessar fogo das autoridades sírias e russas em áreas como Al-Zabadani, Kefraya e Fua para oferecer assistência humanitária e para procedimentos de evacuação. Segundo a ONU, o conflito na Síria gerou a maior crise humanitária desde a Segunda Guerra Mundial, com 7,6 milhões de deslocados e 3,2 milhões de refugiados.