Conflito na região sudanesa começou em janeiro de 2003 e, segundo estimativas, já matou mais de 200 mil pessoas e deslocou internamente 2 milhões.

Subsecretário-Geral para Operações de Paz, Hervé Ladsous, fala ao Conselho de Segurança sobre a Missão Conjunta da União Africana e da ONU em Darfur (UNAMID). Foto:ONU/Evan Schneider
Em razão da violência mortal desencadeada pelos conflitos intercomunais em Darfur, região oeste do Sudão, e as restrições de segurança que impedem os esforços das forças de paz, o Subsecretário-Geral para as Operações de Manutenção da Paz, Hervé Ladsous, pediu nesta segunda-feira (29) à comunidade internacional para pressionar os lados do conflito a chegarem a um acordo político. “A situação em Darfur é cada vez mais preocupante”, disse Ladsous.
Resolver o conflito continuou a exigir um esforço conjunto do Conselho de Segurança, da União Africana e de toda a comunidade internacional para persuadir as partes beligerantes de que “não há solução militar para a crise”, segundo Ladsous. Manter a atenção sobre a situação no Darfur em meio a uma série de novas crises — argumentou — ficou ainda mais importante.
Para Ladous, uma melhor cooperação por parte das autoridades sudanesas e melhorias nos equipamentos das tropas e polícia são necessárias para permitir que a Missão das Nações Unidas e da União Africana em Darfur (UNAMID) atue com seu potencial completo.
O Subsecretário-Geral lembrou alguns avanços para a solução política, como o realizado próximo ao início do fórum internacional de doadores, nos dias 7 e 8 de abril, quando pessoas deslocadas internamente lançaram protestos pacíficos nos campos de Kalma e d’Hassa Hissa, no sul e centro de Darfur.
Estratégia de desenvolvimento ainda subfinanciada
Ladous ressaltou que os participantes do fórum de doadores expressaram apoio a Darfur, prometendo 3,7 bilhões de dólares para a região, incluindo 2,65 bilhões de dólares anteriormente prometidos pelo Sudão e 500 milhões de dólares pelo Catar. O total não alcança os 7,2 bilhões de dólares previstos para a estratégia local de desenvolvimento de seis anos.
O conflito em Darfur começou em janeiro de 2003, quando dois grupos armados da região rebelaram-se contra o governo central sudanês, acusando-o de oprimir os não árabes em favor dos árabes, além de negligenciar Darfur. O governo reagiu e lançou bombardeios contra o local, apoiados por ataques em terra de uma milícia árabe, os janjawid.
Desde então, estimativas afirmam que 200 mil pessoas morreram e mais de 2 milhões foram deslocadas internamente. A violência intercomunitária envolvendo milícias bem armadas também causou sofrimento significativo entre a população civil. No dia 3 de abril, uma tentativa de assalto à mão armada provocou confrontos entre milícias oriundas principalmente das tribos Misseriya e Salamat em Um Dukhun, no centro de Darfur, disse Ladsous.
Acesse um vídeo abaixo sobre o desafio humanitário no Sudão:
http://www.youtube.com/watch?v=Ve0eaOmCA0c