‘Não podemos deixar que 2017 repita tragédias que aconteceram na Síria em 2016’, alerta ONU

Cinco agências humanitárias da ONU emitiram comunicado alertando que, atualmente, há 15 áreas sitiadas no país, onde 700 mil civis – incluindo cerca de 300 mil crianças – ainda permanecem presos. Além disso, devido à luta, à insegurança e o acesso restrito, quase 5 milhões de pessoas e mais de 2 milhões de crianças e adolescentes vivem em locais extremamente difíceis para o acesso humanitário.

Menino empurrando uma cadeira de rodas em meio a edificações destruídas em uma rua em Al-Mashatiyeh, próximo à cidade de Alepo, na Síria. Foto: ACNUR/Bassam Diab

Menino empurrando uma cadeira de rodas em meio a edificações destruídas em uma rua em Al-Mashatiyeh, próximo à cidade de Alepo, na Síria. Foto: ACNUR/Bassam Diab

Enquanto os esforços para a implementação plena do cessar-fogo continuam na Síria e em Genebra, funcionários do alto escalão da ONU pediram nesta segunda-feira (16) acesso imediato, incondicional e seguro a todas as crianças e famílias que ainda estão sem ajuda humanitária no país.

“Não podemos deixar que 2017 repita as tragédias que aconteceram na Síria em 2016”, disse uma declaração conjunta emitida pela diretora-executiva do Programa Mundial de Alimentos (PMA), Ertharin Cousin; pelo diretor-executivo do UNICEF, Anthony Lake; pelo subsecretário-geral da ONU para Assuntos Humanitários, Stephen O’Brien; pela diretora-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Margaret Chan; e pelo alto-comissário das Nações Unidas para os Refugiados, Filippo Grandi.

De acordo com o comunicado, atualmente, há 15 áreas sitiadas no país, onde 700 mil civis – incluindo cerca de 300 mil crianças – ainda permanecem presos. Além disso, devido à luta, à insegurança e ao acesso restrito, quase 5 milhões de pessoas e mais de 2 milhões de crianças e adolescentes vivem em locais extremamente difíceis para o acesso humanitário.

“Em toda a Síria, muitas pessoas continuam sofrendo por não terem os elementos básicos e necessários para a sobrevivência, e por conta do risco contínuo da violência. O mundo não deve ficar em silêncio enquanto partes do conflito continuam negando comida, água, suprimentos médicos e outras formas de ajuda”, continuou a declaração.

O comunicado também observou que as crianças estão em pior risco de desnutrição, desidratação, diarreia, doenças infecciosas e lesões. Muitos igualmente precisam de apoio por terem sido expostos a eventos traumáticos, violência e outras violações.

“Tragicamente, as crianças têm conhecido conflito e perda em suas vidas. Os horrores do cerco dos distritos orientais de Alepo desapareceram da consciência pública, mas não devemos deixar que as necessidades, as vidas e o futuro do povo da Síria desapareçam da consciência do mundo”, destacou a declaração.

Acesse a declaração conjunta clicando aqui.