Negociações na Síria devem recomeçar em 13 de abril, diz enviado da ONU

Segundo mediador das Nações Unidas na Síria, conversas pretendem levar “ao real início de uma transição política”; enquanto isso, comboios de ajuda humanitária continuam sem conseguir acessar áreas isoladas ou sitiadas no país.

Em novembro do ano passado, crianças sírias brincavam na rua de Alepo, lar de mais de um milhão de deslocados internos. Foto: ACNUR/B.Diab

Crianças sírias brincam em rua de Alepo, lar de mais de 1 milhão de deslocados internos. Foto: ACNUR/B.Diab

O mediador das Nações Unidas para a crise na Síria disse na quinta-feira (7) que a próxima rodada das negociações de paz provavelmente terá início na quarta-feira (13), e pretende ser uma discussão concreta para levar “ao real início de uma transição política”.

O enviado especial da ONU para a Síria, Staffan de Mistura, disse em coletiva de imprensa que até o início das conversas, ele planeja visitar Damasco e Teerã – e talvez Amã e Beirute, no caminho – assim como se reunir com algumas autoridades turcas e sauditas na Europa.

“Honestamente, a próxima rodada de conversas na Síria precisa ser bem concreta na direção de um processo político que leve a um real início da transição política”, disse, acrescentando: “agora preciso verificar a posição das partes regionais e internacionais para ver qual é o nível positivo de massa crítica levando a resultados concretos nas próximas rodadas de negociações”.

Na capital síria, Damasco, o enviado da ONU pretende se reunir com o ministro de Relações Exteriores e com o vice-chanceler do país, mas não tem encontro marcado com o presidente Bashar al-Assad.

O principal objetivo da viagem é verificar se há “um entendimento crítico, ou massivo, do que poderia ser um modelo para uma transição política”, disse o enviado, completando que o cessar de hostilidades começou porque “havia, até certo ponto, uma massa crítica com a qual podíamos trabalhar”.

Sobre a entrega de ajuda humanitária, Jan Egeland, conselheiro especial do enviado à Síria disse que “abril era para ser nosso melhor mês, mas não está sendo”.

“Até agora, estou decepcionado e desanimado com o que conseguimos na última semana”, disse, afirmando que cinco comboios não conseguiram seguir caminho nos últimos quatro dias e, como resultado, 287 mil pessoas não receberam ajuda em áreas de difícil acesso ou sitiadas.

Ele disse que apesar de um novo procedimento segundo o qual as permissões precisam ser emitidas em sete dias e a autorização final em três, quatro de cinco comboios não receberam cartas de facilitação do governo, e o outro foi bloqueado por alguns grupos armados de oposição.

Com uma importante campanha de vacinação entrando em sua fase intensiva, ele afirmou que há problemas em muitos locais, pedindo que governo e oposição armada não barrem voluntários e trabalhadores de saúde que têm como objetivo vacinar milhões de crianças contra doenças epidêmicas.

“Uma coisa positiva” é que, num futuro próximo, até 500 feridos, doentes e seus familiares serão retirados de quatro cidades: Madaya, Zabadani, Foah e Kefraya, disse. “É uma das maiores retiradas médicas já planejadas.”