Comboio com três agências humanitárias foi atacado quando voltava de atividades na região nordeste do país, deixando um funcionário do UNICEF ferido. Representante da ONU alertou que recente melhoria no acesso ao local revelou condições alarmantes nas quais vivem as pessoas na região, antes dominada pelo grupo terrorista Boko Haram. Agências atendem mais de 2 milhões de pessoas.

Crianças participam de triagem nutricional no campo para deslocados de Dalori, na cidade de Maiduguri, no estado de Borno, nordeste da Nigéria. Foto: UNICEF/Esiebo
Apesar do ataque ocorrido no último dia 28 de julho contra um comboio humanitário no estado de Borno, na Nigéria, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) anunciou que continuará prestando assistência a milhões de crianças afetadas pelos conflitos no nordeste do país.
“Continuamos a chamar por maiores esforços para alcançar as pessoas que mais necessitam em todo o estado (de Borno). Não podemos deixar este ataque desumano nos impedir de alcançar os dois milhões de pessoas em necessidade desesperada por assistência humanitária imediata”, disse a representante do UNICEF na Nigéria, Jean Gough, em um comunicado de imprensa.
O comboio – que levava pessoal do UNICEF, do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) e da Organização Internacional para as Migrações (OIM) – foi atacado entre Bama e Maiduguri, no estado de Borno, enquanto retornava de uma atividade de prestação de assistência humanitária.
Devido ao ataque, no qual um funcionário do UNICEF foi ferido, a ONU suspendeu temporariamente missões de ajuda humanitária em áreas de alto risco.
Antes do ataque, a melhoria das condições de segurança na região permitiu aos atores humanitários o acesso a áreas anteriormente inacessíveis por estarem sob o controle do grupo terrorista Boko Haram.
De acordo com Gough, esta melhoria no acesso humanitário revelou condições alarmantes nas quais vivem as pessoas na região.
“A violência tem atrapalhado a agricultura e os mercados, destruiu estoques de alimentos e danificou ou destruiu instalações de saúde e sistemas de abastecimento de água. Nós temos de alcançar mais comunidades, disse a representante do UNICEF.
Apesar da suspensão temporária de viajar para áreas de alto risco, o UNICEF pretende aumentar a sua resposta no estado de Borno. No início de 2016, a agência da ONU apelou por 55,5 milhões de recursos para responder à crise humanitária no nordeste da Nigéria, mas recebeu até o momento menos da metade do valor – 23 milhões de dólares.