Nigéria: ONU reage à morte de 220 pessoas por conflitos e pede respeito aos direitos humanos

Confrontos entre forças militares e o grupo islâmico Boko Haram aconteceram na cidade de Baga. Em 2012, a organização extremista já havia matado 100 pessoas no estado de Kaduna.

Foto: Estudantes corânicos compõem a maior parte dos cerca de mil imigrantes do Chade, que fugiram da violência relacionada ao grupo Boko Haram no norte da Nigéria. Foto: UNICEF/Jules Laouhingamaye

Foto: Estudantes corânicos compõem a maior parte dos cerca de mil imigrantes do Chade, que fugiram da violência relacionada ao grupo Boko Haram no norte da Nigéria. Foto: UNICEF/Jules Laouhingamaye

A ONU reiterou nesta sexta-feira (3) o seu pedido ao Governo nigeriano para respeitar os princípios de direitos humanos durante as patrulhas de segurança, após relatos de que cerca de 220 civis foram mortos durante confrontos violentos entre as forças militares e o grupo islâmico extremista Boko Haram.

“Estamos muito preocupados com o grande número de vítimas, que supostamente incluem muitos civis e a destruição maciça de casas e propriedades, bem como o deslocamento que tem ocorrido ao longo dos últimas semanas no nordeste da Nigéria”, disse o porta-voz do Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH), Rupert Colville, para jornalistas, na Nigéria. Colville também pediu que forças de segurança e militares respeitem os direitos humanos em suas operações.

O novo chamado é uma resposta aos incidentes em Baga, uma cidade no nordeste da Nigéria às margens do Lago Chade em que combates eclodiram durante a noite de 16 de abril e continuaram por vários dias. O ACNUDH disse que a luta começou em razão da morte, de autoria do Boko Haram, de um soldado em uma patrulha militar.

O presidente da Nigéria, Goodluck Jonathan, estabeleceu um comitê para elaborar modalidades para anistia e indenização para as vítimas, bem como para abrir negociações com o Boko Haram.

O grupo radical foi criado em 2001 e afirma lutar pela criação de um Estado islâmico no norte da Nigéria. A organização foi supostamente responsável por muitos sequestros e assassinatos de civis, políticos e membros das forças de segurança nacionais.

No ano passado, mais de 100 pessoas foram mortas quando o grupo atacou igrejas no estado de Kaduna, ato que a diversos agências e chefes da ONU condenaram.