Desde dezembro de 2013, as lutas políticas já causaram a morte de milhares de civis no país, deixaram mais de 1,5 milhão de pessoas deslocadas e 7 milhões com risco de fome e doenças.

Crianças brincando próximo à base da ONU em Juba, no Sudão do Sul. Foto: JC Mcllwaine/ONU
“O secretário-geral da ONU lembra aos líderes do Sudão do Sul que esta é uma crise provocada pelo homem. E por isso eles têm a responsabilidade e o poder de impedi-la. Ele exorta-os esses líderes a respeitarem as expectativas de seu povo, depor as armas e retornar imediatamente à mesa de negociações”, disse o porta-voz de Ban Ki-moon em uma declaração emitida na ocasião do terceiro aniversário da independência do Sudão do Sul, nesta quarta-feira (9).
Desde dezembro de 2013, a luta política entre o presidente Salva Kiir e o ex-vice-presidente Riek Machar já causou a morte de milhares de civis, deixou mais de 1,5 milhão de pessoas deslocadas, entre elas 100 mil que buscaram refúgio dentro das bases da ONU em todo o país, e facilitou o risco que mais de 7 milhões de pessoas padeçam de fome ou doenças. Segundo o Fundo da ONU para Infância (UNICEF) no Sudão do Sul, cerca de 235 mil crianças com até 5 anos necessitam de tratamento para a desnutrição aguda.
“O país sofreu um retrocesso de várias décadas”, disse a chefe da Missão da ONU para o Sudão do Sul (UNMISS), Hilde F. Johnson, em seu último dia de mandato. “À medida que o povo do Sudão do Sul se prepara para celebrar o terceiro aniversário da independência, eles veem um país que sofre agora um grave risco, não só pelos conflitos, mas também de fracassar”, disse ela, acrescentando que em Juba, capital do país, as perdas provocadas pela crise “são de partir o coração.”
“O secretário-geral tranquiliza o povo do Sudão do Sul afirmando que a ONU está com eles e vai continuar fazendo todo o esforço necessário para proporcioná-los proteção e assistência humanitária que são seus direitos básicos”, concluiu.