No Brasil, ONU e periódico britânico lançam publicação sobre cuidados na primeira infância

Apresentada em Brasília nesta semana, série especial do ‘The Lancet’ aborda importância do cuidado na primeira infância para garantir desenvolvimento pleno de crianças. Intervenções de saúde devem articular diferentes áreas, como nutrição, relações afetivas, segurança e oportunidades de aprendizado. Lançamento da publicação é fruto de iniciativa da OPAS, UNICEF, Banco Mundial e parceiros.

Ambiente domiciliar seguro e livre de estresse pode promover aprendizado e formar as bases de resultados positivos no futuro, durante os anos escolares. Foto: Colin Bowern (CC)

Ambiente domiciliar seguro e livre de estresse pode promover aprendizado e formar as bases de resultados positivos no futuro, durante os anos escolares. Foto: Colin Bowern (CC)

Lançada na quarta-feira (9) no escritório da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) no Brasil, uma nova série do periódico The Lancet aborda a importância do cuidado na primeira infância para garantir o desenvolvimento pleno de crianças. Intervenções de saúde, apontam especialistas, devem articular diversas frentes, como nutrição, relações afetivas, segurança e oportunidades de aprendizado.

A publicação aponta que, no período desde a concepção até o período de dois a três anos de idade, as crianças respondem mais rapidamente a cuidados do que em qualquer outra fase da vida. A estimulação precoce e a criação de vínculos em ambiente domiciliar, seguro e livre de estresse, aumentam o potencial de aprendizagem da criança em casa e forma as bases para resultados positivos na escola.

O The Lancet também alerta que problemas nessa faixa etária também podem ter consequências duradouras. Deficiências nutricionais antes da concepção, durante a gravidez e nos primeiros anos da criança, por exemplo, podem resultar em atrasos no desenvolvimento ao longo da vida.

A série destaca ainda que o aleitamento materno até os dois primeiros anos traz significativos benefícios para mães e crianças, contribuindo para a saúde materna e infantil, nutrição dos bebês, redução da pobreza e crescimento econômico.

A OPAS lembra ainda que outros de longo prazo revelam que os problemas de crescimento desde a concepção até os três anos de vida têm um grande impacto sobre a saúde do adulto e o capital humano, incluindo baixos níveis educacionais e incidência de doenças crônicas.

Crianças sob risco

No Brasil, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) 2014, mais de 6 milhões de meninos e meninas de até cinco anos vivem em domicílios com renda per capita de até meio salário mínimo. Crianças indígenas, quilombolas, ribeirinhas e as que vivem nas periferias dos grandes centros urbanos também estão em situação de vulnerabilidade, podendo não desenvolver plenamente seu potencial.

Para reverter esse quadro, a OPAS considera que crianças, famílias e cuidadores precisam ter acesso a políticas públicas de qualidade, elaboradas com apoio da sociedade. A atuação integrada e colaborativa é vital para a sustentabilidade e o sucesso das estratégias de desenvolvimento da primeira infância.

O lançamento do The Lancet no Brasil é uma iniciativa da OPAS, do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), e do Banco Mundial, em parceria com a Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal e o Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário (MDSA).

Acesse a série aqui.