Incidentes em Gaza, Líbano e Síria aumentam as tensões regionais. Na Cisjordânia, um total de 186 palestinos foram feridos nos últimos meses, incluindo 28 crianças e duas mulheres.

Palestinos deslocados com seus pertences, após demolição ordenada por autoridades israelenses. Foto: OCHA
Durante o mês passado, a situação de segurança no Oriente Médio continuou tensa, informou o subsecretário-geral da ONU para Assuntos Políticos, Jeffrey Feltman, ao Conselho de Segurança da Organização na última quarta-feira (24), detalhando questões críticas na Cisjordânia, Gaza, Líbano e Síria.
Na Cisjordânia “em três incidentes separados, três homens palestinos foram mortos pelas forças de segurança israelenses” disse Feltman, enquanto um palestino disparou contra um veículo israelense viajando próximo a um assentamento perto de Ramallah, deixando um civil israelense morto e outro ferido. Nos últimos meses, um total de 186 palestinos foram feridos, incluindo 28 crianças e duas mulheres, bem como cinco membros das forças de segurança de Israel.
Enquanto isso, cerca de 400 operações de busca e apreensão foram realizadas, resultando na prisão de 510 palestinos. Entretanto, a demolição de casas e estruturas na Cisjordânia continua. O sistema de planejamento e zoneamento como está torna “praticamente impossível” para os palestinos construir ou desenvolver a sua terra dentro da “Área C” da Cisjordânia.
Em Gaza, a situação já crítica se acentuou com os recentes lançamentos de foguetes de militantes palestinos e a reposta com bombardeios israelenses. Feltman, no entanto, sublinhou que aceitar uma narrativa fatalista do conflito israelense-palestino apenas acelerará a deterioração da situação.
Pontos de alerta
“O risco de radicalização do Território Ocupado Palestino aumenta com a contínua falta de horizontalidade política. Na ausência de uma liderança corajosa, uma solução sustentável continuará um objetivo distante e inalcançável”, disse.
Nesta direção, ele adicionou que o secretário-geral da ONU está motivado pelo recente compromisso do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu com a “ideia da solução sustentável de dois Estados”, mas observou “que isso deve ser traduzido para ações.”
Entre outros pontos de alerta na região, ele mencionou o vácuo presidencial no Líbano, que, sem mandatário, não permite ao parlamento legislar sobre questões urgentes. Outra fonte de preocupação é o aumento de violência na fronteira com a Síria, onde o Hezbollah tem combatido grupos extremistas como o Estado Islâmico do Iraque e do Levante (ISIL) e a Frente Nusra.
O subsecretário-geral também chamou a atenção para os refugiados sírios e o fluxo intenso daqueles que cruzam a fronteira para a Turquia. Com aproximadamente 25 mil novos sírios no país, Feltman frisou “que não é nem justo nem possível esperar que a Turquia continue a enfrentar a pressão do refúgio sozinha”.