A escalada de violência pode trazer implicações graves para a estabilidade do país e a harmonia étnica.

Família de deslocados de Burundi vão para Ruanda. Ao menos 240 pessoas foram assassinadas desde os protestos iniciados em abril no país. Foto: UNICEF Burundi/Y. Nijimbere
Representantes das Nações Unidas alertaram o Conselho de Segurança da ONU nesta segunda-feira (9) sobre a crise política em Burundi e a violência crescente do país, que começou em abril quando o presidente Pierre Nkurunziza se candidatou para o terceiro mandato. A Constituição do país e o Acordo de Arusha, no entanto, permitem no máximo dois mandatos presidenciais no país.
O subsecretário-geral da ONU para Assuntos Políticos, Jeffrey Feltman, afirmou que muitos bairros, especialmente aqueles que se opuseram à reeleição, estão vivenciando troca de tiros e explosões de granadas.
“Moradores traumatizados frequentemente encontram corpos mutilados, vítimas de execuções”, acrescentou Feltman. O representante da ONU lembrou que a morte de Zedi Feruzi, ums figura importante da oposição, marcou o começo dos assassinatos políticos de Burundi.
Para Feltman, a crise de Burundi é política e não pode ser resolvida por meio de repressão de policiais. “O problema é muito mais profundo e por isso, mais preocupante”, declarou. O assessor especial do secretário-geral sobre a Prevenção de Genocídios, Adama Dieng, lembrou o “passado de horror” no país, em que divisões étnicas deixaram cerca de 300 mil pessoas mortas. Adicionou que o Conselho de Segurança deve intervir para evitar que este cenário se repita.
Apenas na segunda-feira (09), duas pessoas foram assassinadas por um ataque de granada na capital Bujumbura, e no sábado, ao menos nove mortas, incluindo um membro da ONU. Ele também alertou sobre o fechamento de veículos de mídia e do clima de medo instaurado, que afeta a líderes da oposição. “O governo não tem estabelecido condições para um diálogo político razoável e inclusivo”, concluiu.
Dieng, afirmou que o governo atual, a ONU, a União Africana e a Comunidade Africana Oriental têm papel importante a desempenhar sobre o conflito. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, deve anunciar nos próximos dias um assessor especial para liderar e coordenar os esforços da Organização para apoiar o Burundi.