No Dia Mundial contra AIDS, UNESCO defende educação sexual abrangente e de qualidade

Na ocasião do Dia Mundial contra a AIDS, lembrado nesta sexta-feira (1), a diretora-geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), Audrey Azoulay, citou estudos segundo os quais adolescentes que receberam educação sexual abrangente e de qualidade, associada ao acompanhamento de profissional qualificado, têm 40% menos de risco de gravidez precoce ou indesejada e 30% mais chance de concluírem educação secundária.

“Isso se traduz em melhores condições de saúde no longo prazo, incluindo uma redução significativa no risco de infecção pelo HIV”, declarou.

Sem o direito à educação, não podemos garantir o direito à saúde, disse a UNESCO no Dia Mundial contra AIDS. Foto: UNAIDS

Sem o direito à educação, não podemos garantir o direito à saúde, disse a UNESCO no Dia Mundial contra AIDS. Foto: UNAIDS

Na ocasião do Dia Mundial contra a AIDS, lembrado nesta sexta-feira (1), a diretora-geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), Audrey Azoulay, ressaltou a necessidade de assegurar a todos o direito a uma educação de qualidade, uma vez que o direito à saúde e à educação são indissociáveis.

“Essa ligação que os une está no centro dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030 e da Estratégia do UNAIDS 2016-2021”, declarou em comunicado publicado na quinta-feira (30).

“Conforme indicado na Estratégia da UNESCO sobre Educação para a Saúde e o Bem-Estar: Contribuir para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, a saúde e a educação se reforçam mutuamente. Assim, os estudantes saudáveis aprendem melhor, e os que recebem melhor educação, são mais saudáveis”, completou.

Segundo ela, a saúde e a educação também são interdependentes. Sem o direito à educação, não podemos verdadeiramente garantir o direito à saúde.

“Há um amplo reconhecimento de que o sucesso educacional depende muito do estado de saúde dos estudantes, assim como os fatores que os influenciam, como comportamentos relacionados à saúde, os contextos de risco e o uso de serviços de prevenção”, afirmou.

Audrey citou estudos segundo os quais adolescentes que receberam educação sexual abrangente e de qualidade, associada ao acompanhamento de profissional qualificado, têm 40% menos risco de gravidez precoce ou indesejada e 30% mais chance de concluírem a educação secundária.

“Isso se traduz em melhores condições de saúde no longo prazo, incluindo uma redução significativa no risco de infecção pelo HIV, e permite salvar milhares de vidas, sabendo-se que mais de 70 mil adolescentes de países em desenvolvimento morrem a cada ano por complicações relacionadas à gravidez e ao parto.”

De acordo com a diretora-geral da UNESCO, em um mundo onde os jovens, especialmente meninas e mulheres, carregam de maneira excessiva o fardo do HIV e da AIDS, devemos reconhecer o papel central que a educação sexual abrangente exerce em favor de seu direito à saúde, e para a saúde de todas as sociedades.

“Neste dia, convoco a todos os parceiros a unir forças para pôr um fim, até 2030, à ameaça que a ADIS constitui à saúde pública como parte do nosso compromisso em promover o desenvolvimento sustentável, os direitos humanos, a igualdade de gênero e a justiça social”, concluiu.

Ampliar tratamento e prevenção entre usuários de drogas e detentos

Em comunicado para o dia, o diretor-executivo do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), Yury Fedotov, disse que o mundo enfrenta a urgente necessidade de melhorar a cobertura dos serviços de prevenção e tratamento ao HIV e à hepatite C entre pessoas que usam drogas e aquelas que estão privadas de liberdade.

“Isso significa mais investimento em prevenção ao HIV e à hepatite C, já que uma falha em fazê-lo poderia levar a um aumento das novas infecções”, declarou. “Mais de 30 milhões de homens e mulheres estão presos globalmente. Detentos têm cinco vezes mais chances de viver com HIV na comparação com adultos fora das prisões. A prevalência do HIV entre mulheres detentas é quase sempre mais alta que sua prevalência entre homens na prisão”, declarou.

Fedotov lembrou que o documento final da sessão especial da Assembleia Geral da ONU para o problema das drogas (UNGASS), realizada no ano passado, pode ser uma poderosa ferramenta para apoiar os usuários de drogas que estão sob risco de serem infectados com HIV ou hepatite B e C.

“Parcerias e cooperação entre atores-chave é vital para o desenvolvimento de programas efetivos para ajudar os usuários de drogas e detentos. Tal cooperação pode ser impulsionada pelo documento final da UNGASS, pelas Regras Nelson Mandela (normas que determinam padrões mínimos de tratamento a detentos) e pelas Regras de Bangkok (regras da ONU para o tratamento de mulheres detentas)”, afirmou.

“No Dia Mundial da AIDS, peço que cada país cumpra seus compromissos em relação aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável e ao documento final da UNGASS. Caso contrário, corremos o risco de deixar para trás pessoas que precisam urgentemente de serviços de prevenção e tratamento. Não podemos deixar isso acontecer”, concluiu.