Data é comemorada em 150 países. Solenidade acontece à sombra de novos dados que apontam um total de 842 milhões de pessoas cronicamente famintas.

Haiti. Foto: PMA/David Orr
São necessários melhores sistemas alimentares para combater a fome e a má nutrição. Essa é a mensagem do Dia Mundial da Alimentação, celebrado nesta quarta-feira (16) na sede da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), em Roma (Itália).
Este ano, o evento de comemoração acontece à sombra de novos dados que apontam um total de 842 milhões de pessoas cronicamente famintas.
“Não podemos melhorar a nutrição sem segurança alimentar e não podemos ter segurança alimentar se não tivermos os sistemas alimentares corretos”, disse o diretor-geral da FAO, o brasileiro José Graziano da Silva, na cerimônia na qual participaram ministros, diplomatas, chefes de agências das Nações Unidas e outros dignatários.
Ele afirmou que, apesar dos sistemas alimentares produzirem alimentos suficientes para todos, mais da metade da população mundial é afetada pela falta ou excesso no consumo de alimentos.
“Os custos econômicos da fome são impressionantes. Eles podem chegar a cerca de 5% da renda global devido à perda de produtividade e custos diretos com cuidados de saúde”, disse ele. “O outro lado são os grandes benefícios econômicos que podem resultar da erradicação da fome e da má nutrição.”
Graziano da Silva apontou que 62 dos 128 países que a FAO monitora já atingiram a meta de combate à fome dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM).
“Esses 62 países que atingiram as metas contra a fome nos mostram que é possível vencer essa guerra”, disse ele.
Em sua mensagem para o Dia Mundial da Alimentação, lida pelo arcebispo Luigi Travaglino durante a cerimônia, o Papa Francisco disse: “É um escândalo que ainda exista fome no mundo”. O Papa culpou o individualismo pela criação de uma “atitude de indiferença”, como se a fome e a má nutrição fosse um fato inevitável. “Isso não pode nunca ser considerado normal”, afirmou ele.
“O Dia Mundial da Alimentação (…) é uma oportunidade para adotar ferramentas críticas e soluções que irão nos levar para um mundo livre da fome e mais bem alimentado [e] a uma compreensão de que a fome e a má nutrição são um resultado trágico de sistemas alimentares não saudáveis, sistemas alimentares nos quais todos nós temos um papel”, concluiu.