Nas Américas, algumas das doenças mais conhecidas deste tipo são malária, dengue, doença de Chagas e esquistossomose. Organização Pan-Americana de Saúde celebrará a data em Rio Branco, Acre.
O Aedes aegypti, mais popularmente conhecido como “mosquito da dengue”, é o vetor do vírus da dengue e da febre amarela. Foto: Wikimedia Commons/Matti Parkkonen
Uma iniciativa da Organização Mundial de Saúde (OMS), o dia 7 de abril é celebrado como o Dia Mundial da Saúde e, para este ano, traz o tema as “doenças vetoriais” – ou seja, aquelas transmitidas aos humanos por seres “intermediários” (os vetores), que carregam vírus, parasitas e bactérias.
Nas Américas, algumas das doenças mais conhecidas deste tipo são malária, dengue, doença de Chagas e esquistossomose. Altamente difundidas nos países e regiões mais pobres, essas doenças não só matam como, entre outras consequências diretas ou indiretas, aumentam a evasão escolar e a pobreza, prejudicam a produtividade econômica e sobrecarregam o sistema de saúde.
Entretanto, a prevenção costuma ser tão simples e barata quanto é eficiente: o uso de roupas que protejam pernas e braços das picadas de insetos, a instalação de telas em janelas e portas, a cobertura de recipientes que possam acumular água parada ou lixo – estas e muitas outras são medidas que fazem a diferença entre a doença e a saúde.
Na sexta-feira, 11 de abril, a representação da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS/OMS) no Brasil celebrará o Dia Mundial da Saúde em Rio Branco, Acre, em parceria com a Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde e a Secretaria Estadual de Saúde.
Para o ato estão programadas palestras sobre malária, dengue e filariose – cujo sintoma mais conhecido recebe o nome de “elefantíase” – para conscientizar e instruir a população sobre formas de prevenção e proteção contra os vetores destas doenças.
Um mosquito que contaminou mais de 2 milhões de pessoas na América Latina
O mosquito da dengue é traiçoeiro: sua picada não arde nem coça. Os efeitos só são percebidos dias depois, quando vem a dor de cabeça, a fadiga, a febre alta e, nos casos mais graves, a hemorragia nasal. Um exame de sangue confirma o diagnóstico.
Mais de 2,3 milhões de latino-americanos padeceram desses sintomas em 2013, vítimas da dengue, uma cifra recorde de afetados que parece indicar o retorno de uma doença que há uma década estava em franco retrocesso. Para exemplificar: em 2004 haviam sido registrados 267 mil casos e somente 74 mortes. Hoje, as mortes por dengue são 20 vezes mais numerosas, de acordo com a OPAS.
Para os especialistas se trata de uma “expansão epidêmica” que tem sua raiz na maior capacidade de reprodução do mosquito transmissor, o Aedes aegypti (desagradável, em grego antigo), e de circulação nas cidades latino-americanas cada vez mais populosas. Isto, por sua vez, é resultado de fatores externos, como as temperaturas mais altas e úmidas e a rápida urbanização da região, que causou um desequilíbrio no habitat do mosquito, de acordo com o especialista em saúde Fernando Lavadenz, do Banco Mundial.
Complicam a situação o aumento do tráfego aéreo e terrestre, a mutação do vírus e a pouca preparação dos sistemas de saúde para responder à enfermidade a tempo.
Até agora em 2014, a região andina registra o maior número de casos, com 29.727, seguida pelo Cone Sul e depois o México e a América Central, em um padrão semelhante ao dos anos anteriores nesta primeira metade do ano. No entanto, países como Nicarágua — onde já se registraram 22 mortes –, Panamá e Venezuela sofreram surtos da doença antes do início da estação das chuvas, a época de maior circulação do Aedes aegypti.