No Dia Mundial do Habitat, ONU pede ‘nova agenda urbana’

O secretário-geral da ONU afirmou que existe tecnologia e conhecimento para construir cidades sustentáveis, mas que é preciso uma agenda urbana que não exclua ninguém.

"As favelas são uma manifestação da rápida urbanização descontrolada que é um desrespeito aos seus cidadãos", afirmou o diretor executivo do Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat), Joan Clos. Foto: Crystal Davis / World Resources Institute

“As favelas são uma manifestação da rápida urbanização descontrolada que é um desrespeito aos seus cidadãos”, afirmou o diretor executivo do Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat), Joan Clos. Foto: Crystal Davis / World Resources Institute

“É necessária uma ação urgente para reorientar o planejamento urbano e proporcionar moradia segura e acessível, apropriada e adequada às necessidades crescentes dos nossos cidadãos”, afirmaram representantes da ONU durante o Dia Mundial do Habitat, marcado sempre na primeira segunda-feira de outubro.

“Vamos ouvir das pessoas que vivem em comunidades precárias o que funcionou e o que não funcionou, e o que ainda precisamos fazer”, disse o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, em sua mensagem para o Dia Mundial do Habitat.

O tema deste ano é “Vozes das Comunidades”, uma iniciativa para ouvir as experiências dos mais pobres, escutando suas reivindicações e ideias sobre como melhorar suas condições de vida.

“Existe tecnologia e conhecimento para construir cidades econômica, social e ambientalmente sustentáveis com base em soluções locais”, afirmou Ban, pedindo “uma nova agenda urbana que não deixe ninguém de lado”.

Garantir que as nossas cidades possam expandir de forma bem planejada e gerenciada “também é vital para combater as alterações climáticas, proteger o meio ambiente e promover o desenvolvimento sustentável”, acrescentou o secretário-geral da ONU.

De acordo com dados do relatório de 2012 da ONU Habitat, estima-se que há 863 milhões de pessoas vivendo em comunidades em precárias condições, o que mostra um aumento progressivo comparado com os números do ano 2000 — 760 milhões — e de 1990 — 650 milhões de pessoas.

O diretor executivo do Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat), Joan Clos, afirmou que “através de histórias reais é possível demonstrar aos tomadores de decisão que os programas de urbanização de comunidades precárias podem trazer melhores condições de vida para os moradores, além de maiores impactos econômicos e sociais”.

Clos observou que as soluções para criar cidades mais equitativas vão mais além de melhoras pontuais nas estruturas e condições de vida dos moradores de assentamentos precários, sendo necessário uma análise mais ampla das causas subjacentes que levam a sua expansão. “As favelas são uma manifestação da rápida urbanização descontrolada – resultado da expansão das cidades sem projeto ou regulamento, o que é um desrespeito aos seus cidadãos”, concluiu.