Mundo tem 45 milhões de refugiados e deslocados internos – nível mais alto em quase 20 anos. Aproximadamente metade tem menos de 18 anos e grande parte vem de apenas cinco países, todos afetados por conflitos.

Motoristas de triciclos-táxis em Mindanao, Filipinas, apoiam o Dia Mundial dos Refugiados. Muitos deles são deslocados. Foto: ACNUR Cotabato
No Dia Mundial dos Refugiados (20/06), a ONU alertou para a situação de milhões de refugiados e deslocados internos em todo o mundo e exortaram os países a aumentar esforços para prevenir e resolver os conflitos que causam grande deslocamento.
O Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) divulgou nesta quarta-feira (19) seu relatório anual “Tendências Globais”, mostrando que no fim de 2012 mais de 45,2 milhões de pessoas se encontravam em situação de deslocamento em comparação a 42,5 milhões no fim de 2011. O relatório também apontou o conflito na Síria como um fator importante para o aumento na deslocação e observou que quase metade de todos os refugiados têm menos de 18 anos.
“Existem hoje mais de 45 milhões de refugiados e deslocados internos – o nível mais alto em quase 20 anos. Só no ano passado, alguém foi forçado a abandonar a sua casa a cada quatro segundos”, disse o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, em mensagem para a data.
O chefe da ONU observou que o deslocamento forçado não afeta apenas aqueles que fogem de conflitos, mas também tem um impacto significativo econômico, social e algumas vezes político nos países acolhedores. Atualmente, 81% dos refugiados do mundo são acolhidos por países em desenvolvimento e mais da metade vêm de apenas cinco países, todos afetados por conflitos: Afeganistão, Iraque, Síria, Somália e Sudão.
O alto comissário da ONU para refugiados, António Guterres, chamou especial atenção para a situação enfrentada pelas famílias na Síria, onde cerca de 1,6 milhão de pessoas foram deslocadas desde que os conflitos no país começaram em março de 2011 por causa do levante contra o presidente Bashar al-Assad.
“Em todos estes anos que tenho trabalhado em prol dos refugiados, esta situação é a mais preocupante que eu já testemunhei. As necessidades dessas pessoas são esmagadoras, a angústia delas é insuportável”, disse Guterres, que está atualmente na Jordânia junto com a enviada especial do ACNUR Angelina Jolie. Os dois estão encontrando com refugiados sírios.
A diretora executiva do Programa Mundial de Alimentos (PMA), Ertharin Cousin, salientou que a comunidade internacional tem a responsabilidade de defender as pessoas deslocadas por toda parte e acrescentou que a situação na Síria é particularmente preocupante por causa da intensificação da violência.
“Por mais de dois anos, o mundo testemunhou milhões de sírios fugindo de suas casas, fugindo da violência em busca de um local seguro”, lembrou. “As necessidades dos sírios afetados por conflitos são enormes, quase grande demais para compreender”, disse Cousin, acrescentando que o PMA espera alcançar 7 milhões de deslocados dentro e fora da Síria.
Eventos em todo mundo marcam a data
Para celebrar a data mundial, o ACNUR organizou eventos em todo o mundo em conjunto com os seus parceiros, incluindo exibições de filmes, painéis de discussão, bazares de alimentos, shows de luzes e musicais, apresentações culturais e competições esportivas.
Muitos dos eventos refletem o tema da campanha global “1 família”, lançada em 13 de junho em todo mundo. O objetivo da campanha é mostrar as consequências da fuga forçada para os núcleos familiares, que muitas vezes separam-se ao deixar sua casa ou cidade, sob o risco de nunca mais voltarem a se encontrar.
Em Manaus, uma “culinária solidária” voltada para famílias refugiadas e migrantes e um seminário acadêmico fazem parte das comemorações. O evento gastronômico aconteceu na terça-feira (18) e o seminário no dia 20. Ambos são promovidos pelo ACNUR, em parceria com a Cáritas Arquidiocesana de Manaus, a Casa de Passagem São Francisco de Assis e a Universidade Estadual do Amazonas.
No Distrito Federal, o ACNUR, em parceria com com o Instituto Migrações e Direitos Humanos, realizou dia 8 de junho um almoço no Restaurante Laura, em Riacho Fundo, para cerca de 40 adultos e crianças refugiadas e solicitantes da condição de refugiados, de países como Colômbia, Cuba, Paquistão e República Democrática do Congo que vivem em diversas cidades do estado. O restaurante pertence a um casal cubano, Loida e Guillermo, ambos reconhecidos com refugiados pelo governo brasileiro em 2009.
Em 6 de junho, aconteceu em Guarulhos (SP) a palestra “Os Desafios do Recomeço: O Reflexo dos Conflitos na Família de um Refugiado”. O evento foi realizado pelo Centro de Defesa de Direito Humanos e as Faculdades Integradas de Ciências Humanas, Saúde e Educação de Guarulhos, com apoio do ACNUR.
Na Austrália, o escritório do ACNUR anunciou os 12 vencedores do Concurso de Arte do Dia Mundial do Refugiado, que pediu aos participantes para abordarem o tema “uma família dilacerada pela guerra é demais.”
No Japão, estudantes de design realizaram um desfile de moda com trajes em azul, temática da ONU, produzidos por 20 países de origem e acolhimento de refugiados.
Na Coreia do Sul, a inciativa “Amigos do ACNUR” marcou o comprometimento de 20 parlamentares a trabalharem juntos pela a proteção dos refugiados.
Na Síria, o ACNUR e seus parceiros estão organizando atividades artísticas, esportivas e sociais para os refugiados e comunidades de acolhimento em áreas como Damasco, Aleppo e Homs.
No vizinho Iraque, refugiados sírios dentro e em torno da cidade de Arbil receberam aulas para tocar músicas tradicionais curdas para uma audiência na famosa Cidadela de Arbil, enquanto refugiados na cidade de Basra vão assistir a um espetáculo de um teatro móvel.