No dia para erradicação da pobreza, ONU pede mais apoio para os que lutam por vida melhor

Secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon pede para que mundo escute apelos dos marginalizados e destaca que, apesar dos avanços, 1,2 bilhão de pessoas ainda vivem na extrema pobreza.

Primeiro Objetivo de Desenvolvimento do Milênio: Erradicar a fome e a pobreza extrema. Foto: Banco Mundial/Jamie Martin

Pedindo mais apoio para as pessoas que lutam para sair da pobreza e construir uma vida melhor, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e as Nações Unidas, marcam o Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza convidando o mundo para “ouvir e agir em nome daqueles cujas vozes não são geralmente ouvidas”.

“Se quisermos que o futuro que queremos seja para todos, temos de ouvir e prestar atenção aos apelos dos marginalizados“, disse Ban em sua mensagem para o Dia Internacional que tem sido marcado na sede da ONU desde 1993 e em todo o mundo desde 1987. A comemoração deste ano reconhece as pessoas que vivem na pobreza como parceiros fundamentais para enfrentar os desafios de desenvolvimento em todo o mundo, tendo como tema: “Trabalhando juntos para um mundo sem discriminação: Com base na experiência e conhecimento das pessoas em situação de extrema pobreza”.

Ban afirma que a comunidade internacional atualmente busca dois objetivos: intensificar os esforços para concretizar os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) e formular o próximo conjunto de metas para orientar os nossos esforços após o prazo dos ODM de 2015. Para o secretário-geral, a Agenda Pós-2015 “tem que colocar a erradicação da pobreza como sua maior prioridade e o desenvolvimento sustentável na sua essência. Porque a única maneira de tornar a erradicação da pobreza irreversível é colocando o mundo no caminho do desenvolvimento sustentável”.

O chefe da ONU destacou que a comunidade internacional tem muito trabalho a fazer já que os níveis de pobreza diminuíram significativamente, mas o progresso tem sido desigual. “Nosso sucesso impressionante em reduzir a pobreza para a metade não nos deve fazer esquecer o fato de que mais de 1,2 bilhão de pessoas ainda vivem na pobreza extrema em todo o mundo”, disse Ban, ressaltando que muitos, especialmente as mulheres e as meninas, continuam a ter negados seus direitos à educação de qualidade, cuidados de saúde e saneamento adequados e moradia digna.

“Precisamos fazer um esforço e ouvir e agir em nome daqueles cujas vozes não são geralmente ouvidas: pessoas vivendo na pobreza e em particular, os índios, as pessoas mais idosas, aqueles que vivem com deficiências, os desempregados, migrantes e minorias “, disse o secretário-geral. “Temos de apoiá-los em sua luta para fugir da pobreza e dessa forma construir melhores vidas para eles e suas famílias. Juntos, podemos construir um mundo de prosperidade, paz, justiça e igualdade: uma vida digna para todos.”

A relatora especial da ONU sobre a pobreza extrema e direitos humanos, Magdalena Sepúlveda, pediu aos Estados para enfrentar as causas profundas da desigualdade de gênero e a maior vulnerabilidade das mulheres à pobreza.

“É inaceitável que, no século 21, o trabalho não remunerado, como cozinhar, cuidar das crianças, cuidar de parentes mais velhos e frágeis, buscar água e combustível, ações que contribuem muito para o crescimento econômico e o desenvolvimento social, não sejam mais valorizadas, apoiadas ou compartilhadas”, disse Sepúlveda, observando que tanto em países desenvolvidos como em desenvolvimento as mulheres trabalham mais horas do que os homens quando o trabalho não remunerado é levado em conta, mas recebem salários mais baixos e menos reconhecimento por suas contribuições.