“Não deixemos que nossa inação de hoje nos leve a um julgamento duro amanhã”, apelou o Secretário-Geral da ONU.
Em discurso no Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, o Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, fez um apelo nesta quinta-feira (24) à comunidade internacional para resolver a crise na Síria e no Mali. Segundo ele, o mundo deve se unir para acabar com os conflitos nos dois países e garantir a assistência disponível para aqueles em necessidade. “Não deixemos que nossa inação de hoje nos leve a um julgamento duro amanhã”, disse.
O Secretário-Geral ressaltou que os confrontos militares na Síria estão tendo consequências sem precedentes para o povo – mais de 60 mil pessoas, a maioria civis – morreram desde o início do levante contra o presidente Bashar al-Assad em março de 2011. Nos últimos meses, a intensificação da violência deixou 4 milhões de pessoas necessitando de assistência humanitária.
“Por mais difícil que a situação seja, temos de pressionar por uma solução política”, disse Ban. Mesmo com a insegurança e as limitações impostas pelo governo sírio, as agências humanitárias estão alimentando 1,5 milhão de pessoas e fornecendo outros suprimentos para 400 mil. No entanto, Ban afirmou que isso não é suficiente e que a comunidade humanitária precisa de 1,5 bilhão de dólares para continuar seu trabalho nos próximos seis meses.
Sobre o Mali, Ban advertiu que a crise está se aprofundando cada vez mais, com mais relatos de violência sexual, recrutamento de crianças-soldado e represálias contra os civis tuaregues e árabes.
“Um misto tóxico de pobreza, condições climáticas extremas, instituições fracas, tráfico de drogas e a fácil disponibilidade de armas mortais está causando uma miséria profunda e insegurança no Mali e região”, avaliou Ban.
Os combates entre forças do Governo e rebeldes tuaregues eclodiram no norte do pais em janeiro de 2012, depois que radicais tomaram a área. Os conflitos no norte, os grupos armados nessa região, a seca e a instabilidade política na sequência de um golpe de Estado em março deslocaram centenas de milhares de civis.
Ban Ki-moon reafirmou o compromisso da ONU de apoiar o país em esforços de segurança, bem como garantir assistência humanitária e política. Na semana passada, uma equipe das Nações Unidas chegou à capital, Bamako, para ajudar na construção de um processo abordando as preocupações militares e políticas.