No Rio, refugiadas debatem fim da violência contra as mulheres (vídeo)

Evento da Cáritas, parceira da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), marcou os ‘16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres’. Refugiadas da República Democrática do Congo, Colômbia e Gâmbia compartilharam relatos sobre violência de gênero em seus países. O evento teve a participação do coletivo Não Me Kahlo e debateu soluções para o problema.

Em evento no Rio de Janeiro para a campanha internacional “16 Dias de Ativismo Pelo Fim da Violência Contra as Mulheres”, a Cáritas Arquidiocesana, organização parceira da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), convidou três mulheres refugiadas a compartilhar com o público brasileiro histórias marcadas por episódios de abuso, mas também por esforços de superação.

Em encontro no Memorial Getúlio Vargas, Mariama Bah, da Gâmbia, Mireille Muluila, da República Democrática do Congo , e Nelly Camacho, da Colômbia, lembraram da vida que levavam em seus países de origem, onde riscos diferentes de violações dos direitos humanos forçaram sua fuga para o Brasil.

Mireille trabalhava com assistência a vítimas de agressões sexuais na RDC. “É uma realidade triste, da qual não me orgulho, porém é necessário falar que muitas congolesas passam por isso e fogem do país para encontrar paz”, afirmou, lembrando que, na nação africana, muitas mulheres sofrem estupros dentro da própria casa ou por grupos armados rebeldes.

Nós não somos coitadinhas,
somos mulheres muito capazes.
Só nos falta a oportunidade.
Nosso choro não é de fraqueza, mas de indignação.

Nelly explicou que a violência na Colômbia é uma ameaça a toda a população. “Vi famílias inteiras desaparecerem completamente, terem todos os seus membros mortos e não queria que meus filhos vissem as coisas que vi nem vivessem as coisas que vivi. Por isso, resolvi sair”, disse.

Mariama, ainda emocionada com os relatos das companheiras, falou sobre sua própria experiência como vítima de casamento infantil na Gâmbia.

Segundo ela, suas conterrâneas estão sujeitas a violência emocional e são desvalorizadas desde o momento em que nascem. Mariama salientou que as mulheres ficam em segundo plano dentro da própria família, e as oportunidades que surgem são dadas sempre aos filhos homens. “Nós não somos coitadinhas, somos mulheres muito capazes. Só nos falta a oportunidade. Nosso choro não é de fraqueza, mas de indignação”, afirmou.