Mais de cem especialistas em saúde pública e outros interessados participam do 1º Simpósio Regional de Dengue, organizado pela OPAS/OMS e parceiros. A dengue ameaça mais de 2,5 bilhões de pessoas em mais de cem países.

Larva do mosquito Aedes aegypti observada em microscópio óptico. Foto: Gutemberg Brito/Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz)
Mais de cem especialistas em saúde pública e outros interessados estão reunidos no Rio de Janeiro, nos dias 3 e 4 de novembro, para o 1º Simpósio Regional de Dengue, organizado pelo Sabin Vaccine Institute (Sabin), pela Dengue Vaccine Initiative (DVI) e pela Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS) para tratar da questão nas Américas.
A reunião foi convocada no momento em que a comunidade de pesquisa sobre a dengue se prepara para a possível disponibilidade das primeiras vacinas para ajudar a combater esta doença. No encontro, os participantes compartilharão suas pesquisas e experiências, proporcionando uma oportunidade única para promover conhecimento científico entre todos os parceiros para que possam apoiar seus governos na decisão de integrar as vacinas contra a dengue às estratégias existentes de controle e prevenção da dengue.
A dengue ameaça mais de 2,5 bilhões de pessoas em mais de cem países; a doença é transmitida por um dos vetores que mais cresce no mundo. A dengue pode causar febre, dor de cabeça, erupção na pele e dores musculares e articulares debilitantes. Suas complicações incluem hemorragia, choque, coma e óbito, e frequentemente exigem hospitalização, o que causa um grande ônus aos sistemas de saúde pública.
Esse ônus é muito preocupante para os países de baixa e média renda, onde surtos da doença ocorrem com frequência e o acesso à assistência em saúde pode ser limitado ou ruim. Somente nas Américas, calcula-se que o custo atribuível à dengue – do tratamento à perda de produtividade – supera a marca dos 2 bilhões de dólares.
“Apesar de importantes esforços por parte dos países durante a década passada para prevenir a dengue e controlar o mosquito transmissor, a doença continua sendo um problema de saúde pública significativo nas Américas”, disse José Luis San Martin, assessor regional da OPAS/OMS para a Dengue. “Este simpósio será fundamental para revisarmos os enfoques existentes e novos para o combate à dengue e analisarmos como podemos nos reunir, enquanto região, para fortalecer as estratégias de prevenção e controle desta doença.”
Nas décadas recentes, ocorreram desenvolvimentos importantes nas estratégias de controle e prevenção da dengue, inclusive inovações nos mecanismos de controle de vetores e modelos matemáticos para melhor compreensão do ônus da dengue.
Além disso, várias vacinas candidatas estão em desenvolvimento. Em 2014, os primeiros ensaios de terceira fase para uma destas vacinas foram concluídos, demonstrando uma eficácia geral de 61% na América Latina (57% na Ásia). Em julho deste ano, o Grupo Técnico Assessor em Doenças Preveníveis por Vacinação da OPAS tomou nota dos avanços animadores em matéria de vacinas contra a dengue, mas declarou “ainda não haver evidências suficientes para recomendar a introdução de tais vacinas”.
Enquanto isso, outras cinco vacinas candidatas – todas tetravalentes, desenvolvidas para proporcionar proteção simultânea contra os quatro vírus da dengue – continuam progredindo em seus ensaios clínicos. A OMS considera que uma vacina contra a dengue seria um valioso instrumento adicional para as estratégias integradas de prevenção e controle desta doença.
Saiba mais sobre o encontro clicando aqui ou na página http://denguesymposium.org/agenda