Nova ferramenta para identificar riscos e evitar crimes contra a humanidade é lançada pela ONU

A nova matriz de análise combina os fatores de risco e indicadores relacionados para promover um enfoque sistemático de análise do surgimento de crimes atrozes, bem como a identificação das portas existentes para a ação preventiva.

“Crimes atrozes raramente acontecem de repente. Eles geralmente evoluem e se desenvolvem por um tempo”, afirmou o vice-secretário-geral da ONU, Jan Eliasson, durante o lançamento do Quadro de Análise para Crimes Atrozes nesta quinta-feira (11), uma ferramenta de avaliação de risco para prevenir crises e proteger populações de risco de genocídio.

Eliasson explicou que muito antes das tensões escalarem e se transformarem em violência há oportunidades para agir. Por tanto, a combinação de fatores de risco e indicadores relacionados usados pela ferramenta contribuem para promover um enfoque sistemático da análise de cenários que possibilitariam o surgimento de crimes atrozes, bem como a identificação das portas existentes para a ação preventiva.

O vice-secretário-geral lembrou que 2014 representou um ano complicado e turbulento onde o mundo testemunhou uma escalada de violência e sofrimento da população, principalmente no Iraque, Síria, República Centro Africana, Sudão do Sul.

A ferramenta faz parte da iniciativa ‘Direitos Humanos na Frente’, lançada pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e que já foi implementada em casos específicos no Sudão do Sul e República Centro-Africana para coordenar o enfoque e obter informação sobre a situação de direitos humanos nestes países.

“Através dessa iniciativa, colocamos os direitos humanos, a proteção dos civis e a prevenção de crimes atrozes no coração do nosso trabalho”, disse Eliasson. “Mas temos que lembrar que palavras, compromissos e obrigações são ocos se não forem traduzidos em ações concretas e efetivas”.