Nova onda de mortes e roubos na República Centro-Africana preocupa ONU

Assolada por décadas de instabilidade e conflito, a RCA assistiu a uma retomada da violência em dezembro passado, quando a coalizão rebelde Séléka lançou uma série de ataques.

Mulher deslocada recebe itens de ajuda do ACNUR em Uganga, República Centro-Africana. Foto: ACNUR/P. Djerassem

Uma nova onda de roubos à mão armada e assassinatos extrajudiciais, incluindo os de soldados do exército e um magistrado, vem abalando Bangui, capital da República Centro-Africana (RCA), alertou, nesta segunda-feira (18) a ONU, pedindo ao governo de transição que leve os criminosos à justiça.

O Escritório Integrado da ONU de Construção da Paz na RCA (BINUCA) pediu às autoridades de transição que “prossigam e acelerem o restabelecimento das capacidades da polícia e da guarda civil que devem manter a lei e a ordem em Bangui”, lembrando que a segurança de pessoas e bens são a primeira e a principal responsabilidade do governo de transição.

No início de novembro, a alta comissária das Nações Unidas para os direitos humanos, Navi Pillay,  disse que a deterioração da violência na República Centro-Africana poderia sair do controle, destabilizando o país, e considerou os conflitos entre ex-integrantes do Séléka e grupos de auto-defesa “extremamente preocupantes”.

Assolada por décadas de instabilidade e conflito, a RCA assistiu a uma retomada da violência em dezembro passado, quando a coalizão rebelde Séléka lançou uma série de ataques, o que culminou, em março, com a fuga do presidente François Bozizé.

Um governo de transição, liderado pelo primeiro-ministro, Nicolas Tiangaye, é responsável por restaurar a lei e a ordem e pavimentar o caminho para eleições democráticas. No entanto, conflitos armados na região nordeste aumentaram desde agosto e o país enfrenta uma grave situação humanitária que afeta cerca de 4,6 milhões de pessoas.