A embarcação de dois andares naufragou e mais de 400 migrantes desapareceram na última segunda-feira (13), 120 quilômetros ao sul da ilha de Lampedusa, na Itália. A guarda costeira italiana conseguiu resgatar 142 pessoas e oito corpos.

Os migrantes e refugiados viajam em embarcações precárias, que aumentam o risco de ocasionar um acidente. Na foto, a marinha italiana aborda um barco clandestino. Foto: Marinha militar italiana
Frente a uma nova tragédia no Mediterrâneo, o alto comissário da ONU para Refugiados (ACNUR), António Guterres, mostrou sua comoção e voltou a reiterar a importância da adoção de um mecanismo robusto de resgate de migrantes e refugiados que usam esta rota para chegar a Europa e é considerada uma das mais perigosas do mundo.
A embarcação de dois andares naufragou e mais de 400 migrantes desapareceram na última segunda-feira (13), 120 quilômetros ao sul da ilha de Lampedusa, na Itália. A guarda costeira italiana conseguiu resgatar 142 pessoas e oito corpos.
O chefe do ACNUR defende a adoção de um programa mais completo pela Europa, que inclua oportunidades de realojamento, admissão humanitária e mais flexibilidade na emissão de vistos, bem como um mecanismo eficaz de patrulha que possibilite aumentar o número de migrantes resgatados no mar Mediterrâneo.
Em 2015, cerca de 31.500 pessoas tentaram cruzar o Mediterrâneo para chegar à Itália e Grécia, o primeiro e segundo país de chegada, respectivamente. No entanto, o ACNUR alertou que esse número deve aumentar, devido às melhores condições climáticas no continente.
Durante o Congresso sobre Prevenção do Crime e Justiça Criminal, no Catar, o diretor executivo do Escritório da ONU sobre as Drogas e o Crime (UNODC), Yury Fedotov, ressaltou que o tráfico de migrantes explora com crueldade o desespero dessas pessoas e gera um enorme lucro ilícito para as redes criminosas.
“Morreram 400 migrantes em apenas um dia, quando sua embarcação naufragou e, ao mesmo tempo, alguém em outra parte do mundo recebeu um depósito em sua conta bancária de um milhão e meio de dólares. Este é um crime que deve ser enfrentado. Devemos proteger o direito dos migrantes, apoiá-los, proteger especialmente as mulheres e as crianças, incluindo aquelas que viajam sozinhas”, indicou Fedotov.