Nova trégua em Gaza permite que ONU e parceiros entreguem ajuda e avaliem extensão dos danos

Com a produção local de alimentos estagnada e as importações reduzidas, praticamente toda a população de 1,8 milhão de pessoas em Gaza depende atualmente de ajuda alimentar.

Distribuição de comida pela UNRWA a famílias deslocadas. Foto: UNRWA/Shareef Sarhan

Distribuição de comida pela UNRWA a famílias deslocadas. Foto: UNRWA/Shareef Sarhan

A extensão de outros cinco dias no cessar-fogo em Gaza possibilitou que os parceiros humanitários das Nações Unidas distribuam ajuda vital e realizem uma avaliação das áreas danificadas para priorizar as tarefas mais urgentes.

Na sede da ONU, o porta-voz do secretário-geral, Stéphane Dujarric, disse aos jornalistas que o transporte seguro na Faixa de Gaza durante o cessar-fogo melhorará o fornecimento de suprimentos de emergência e permitirá a reparação da infraestrutura de abastecimento de água, redes de saneamento e energia elétrica.

A trégua anterior, que expirou na quarta-feira (13), foi prorrogado por mais cinco dias até a meia-noite (horário local) de 18 de agosto. Durante este período, representantes israelenses e palestinos se encontram no Cairo, Egito, para negociar também a possibilidade de um cessar-fogo mais duradouro.

A interrupção dos combates também permitirá a remoção de material explosivo não detonado, disse Dujarric, que permanecem dispersos por todo o território. Seis pessoas morreram e seis ficaram feridas quando explosivos não detonados em Beit Lahia foram detonados nesta quarta-feira (13) – incluindo o fotógrafo italiano, Simone Camilli, da agência AP.

O cessar-fogo permitiu também que a Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA) distribuísse pacotes de maternidade para as mães que deram à luz a 344 bebês, nascidos durante as hostilidades em escolas da UNRWA designadas como abrigos.

Enquanto isso, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) alertou que, com a produção local de alimentos estagnada e as importações de alimentos reduzidas, praticamente toda a população de Gaza – cerca de 1,8 milhão de pessoas – depende atualmente de ajuda alimentar.

Estima-se que 17 mil hectares de terras e infraestrutura agrícola foram danificadas, incluindo estufas, sistemas de irrigação, barcos de pesca, entre outros. O Programa Mundial de Alimentos (PMA) também indicou perdas em metade da criação de aves em Gaza devido aos impactos diretos ou impossibilidade de cuidados, bem como uma perda de 234,6 toneladas no setor da pesca – o equivalente a 9,3% da captura anual dos pescadores locais.

“Com o novo cessar-fogo, muitos agricultores e pastores são agora capazes de acessar suas terras. No entanto, a retomada da produção de alimentos enfrenta sérios obstáculos dados os danos sofridos e a escassez de água, energia elétrica, insumos e recursos financeiros, bem como a incerteza em curso sobre a possível retomada das atividades militares”, disse o chefe da FAO na região, Ciro Fiorillo.