Novo alto comissário assume direção da agência da ONU para refugiados

ACNUR será dirigido por Filippo Grandi, especialista em relações internacionais que trabalha há 27 anos nas Nações Unidas. Novo dirigente assume cargo em meio à maior crise de populações deslocadas já registrada.

Filippo Grandi, novo alto comissário da agência da ONU para refugiados. Foto: ONU / Mark Garten

Filippo Grandi, novo alto comissário da agência da ONU para refugiados. Foto: ONU / Mark Garten

Nesta segunda-feira (4), um novo dirigente assumiu a chefia do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR). A agência da ONU é liderada agora pelo italiano Filippo Grandi, especialista em relações internacionais que trabalha há 27 anos com a Organização. O novo alto comissário foi nomeado em meio à maior crise de populações deslocadas já registrada. Grandi deverá cumprir um mandato de cinco anos.

“A combinação de múltiplos conflitos e o deslocamento em massa resultante, desafios recentes ao asilo, o abismo de financiamento entre necessidades humanitárias e recursos e a crescente xenofobia é muito perigosa”, afirmou o novo chefe do ACNUR, que já trabalhou com a agência na África, na Ásia, no Oriente Médio e em sua sede, em Genebra. Grandi também foi comissário-geral da Agência da ONU de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA) e vice-representante da Missão de Assistência das Nações Unidas no Afeganistão (UNAMA).

Ao longo de 2015, mais de um milhão de refugiados e migrantes atravessaram o mar Mediterrâneo em direção à Europa. A maioria desse contingente vinha da Síria, do Iraque e do Afeganistão, países afetados por conflitos. No mundo todo, o ACNUR estima que, durante o ano passado, indivíduos forçados a se deslocar e a abandonar seus locais de residência chegaram a mais de 59,5 milhões. O número é o maior desde a Segunda Guerra Mundial.

Embora a agência da ONU esteja atravessando “águas extraordinariamente turbulentas”, Grandi espera que sejam obtidos progressos “na garantia da proteção internacional e de melhores condições de vida para milhões de refugiados, pessoas internamente deslocadas e apátridas”. “Também espero que soluções para as crises de deslocamento sejam buscadas com determinação renovada, combatendo suas origens e investindo recursos materiais e políticos adequados”, disse.