Novo chefe do ACNUR pede soluções inovadoras para lidar com crise mundial de refugiados

Em sua primeira coletiva de imprensa após assumir o cargo, Filippo Grandi pediu aos países mais esforços diplomáticos para acabar com conflitos e abusos que forçam milhares de pessoas a abandonar seus países de origem.

Filippo Grandi, em sua primeira coletiva de imprensa após assumir a função de alto comissário para os refugiados. Foto: ACNUR/ S.Hopper

Filippo Grandi, em sua primeira coletiva de imprensa após assumir a função de alto comissário para os refugiados. Foto: ACNUR/ S.Hopper

Com um número recorde de refugiados e deslocados em todo o mundo, o novo chefe da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), Filippo Grandi, destacou a necessidade de mais esforços diplomáticos para encontrar soluções para os conflitos e abusos que estão forçando as pessoas a deixarem seus lares.

“O ACNUR está navegando por águas extraordinariamente difíceis”, disse Grandi em uma coletiva de imprensa realizada nesta quinta-feira (07), após assumir o cargo em 1º de janeiro.

“Nós temos suma obrigação moral principalmente com as pessoas que são obrigadas a se deslocar, e também com os Estados; os Estados estão desesperados à procura de soluções das situações que envolvem os refugiados”, e destacou: “Mesmo em circunstâncias mais desesperadas, temos que pensar na solução para o deslocamento”.

Observando que há, atualmente, cerca de 60 milhões de pessoas deslocadas em todo o mundo, como resultado de conflitos que envolvem desde o Sudão do Sul até a Síria, Grandi se comprometeu a trabalhar em colaboração estreita com parceiros. Ele incentivou os Governos a investir mais energia e recursos para resolver os conflitos e guerras existentes, assim como para prover soluções para as causas da crise de refugiados.

O alto comissário salientou que os países que hospedam um grande número de refugiados, como o Líbano, hoje representam o lar de mais de um milhão de sírios e precisam de mais ajuda.

Ele também reiterou a questão do reassentamento, dos vistos humanitários e de reunificação familiar como ferramentas que podem permitir aos refugiados encontrem segurança em outros países “não por meio do tráfico, mas pelo que chamamos de vias legais”.

Depois de um ano no qual mais de um milhão de refugiados e migrantes chegaram à costa europeia, Grandi disse que irá instar a União Europeia a seguir uma abordagem “coordenada e coesa” para lidar com as pessoas que buscam segurança, e advertiu que o resto do mundo está acompanhando de perto a resposta do continente.

Ele afirmou que se a Europa erguesse barreiras e fechasse as portas, os demais países do mundo fariam o mesmo.

“A UE está se esforçando para uma partilha equitativa da carga de refugiados entre seus membros”, disse Grandi enquanto observava que menos de 10% da atual população de refugiados do mundo está na Europa.

“A expressiva chegada de refugiados à Europa abriu os olhos desta rica parte do mundo para o fato de que os refugiados têm muitas necessidades que não são sanadas.”

Grandi também observou que o ACNUR estava preparado para ajudar aos refugiados regressarem para seus países de origem que tinham se tornado seguros novamente. Neste sentido, citou a Costa do Marfim e na Colômbia e a importância das negociações de paz bem-sucedidas e de reconciliação para criar oportunidades para o retorno de pessoas refugiadas e deslocadas.