Novo combate no Mali provoca deslocamento de 228 mil pessoas no país, diz ACNUR

Países vizinhos já abrigam cerca de 144 mil refugiados malianos. Situação humanitária se agrava em um ano que o país já tinha previsão de ter 4,2 milhões de pessoas precisando de ajuda.

Mulher malinesa em Mangaize, norte do Níger. Foto: ACNUR/H.Caux

O Alto Comissariado da ONU para Refugiados (ACNUR) afirmou hoje (15) que os embates entre tropas malianas – apoiadas pela França – e grupos islâmicos ligados à Al Qaeda, no norte e no centro do Mali, já causaram novos deslocamentos dentro do país e em direção a países vizinhos. Os novos combates vem em um momento em que o Escritório das Nações Unidas de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) estima que 4,2 milhões de malianos precisarão de ajuda humanitária este ano. Estes incluem cerca de 2 milhões de pessoas passando por insegurança alimentar e centenas de milhares de crianças desnutridas.

Países vizinhos do Mali já abrigam cerca de 144 mil refugiados malianos, sendo cerca de 54,1 mil na Mauritânia, 50 mil no Níger, 38,8 mil em Burkina Fasso e 1.500 na Argélia. Pequenos grupos também estão na Guiné e no Togo. Dentro do país, as autoridades nacionais já contabilizam cerca de 228 mil deslocados.

Desde a última sexta-feira (11), o ACNUR reportou a chegada de 450 novos refugiados no oeste de Níger, registrados em campos (como Mangaize) ou acomodados em cidades da região (Banibangou e Tillabery, na região de Tillia).

“Os refugiados estão nos dizendo que fugiram das operações militares, da falta de oportunidades, de subsistência e serviços básicos e da imposição da lei islâmica Sharia”, disse o Porta-Voz do ACNUR, Adrian Edwards.

Em Burkina Fasso, 309 pessoas chegaram em campos de refugiados de Damba e Mentao, no norte e nordeste do país. Na Mauritânia, 471 malianos foram acolhidos no centro de recepção de Fassala, próximo da fronteira com o Mali. Eles serão transportados para o campo mauritânio de Mbera, que já abriga cerca de 54 mil refugiados malianos deslocados em 2012. Mulheres e crianças da região maliana de Lere representam 90% das novas chegadas.

Para Edwars, a situação sobre o deslocamento de civis dentro do Mali é menos clara. “De acordo com a Comissão sobre Populações em Movimento do Mali e outras fontes confiáveis, 648 pessoas chegaram na capital Bamako entre os dias 10 e 13 de janeiro, vindas do norte do país. Outras 360 chegaram em Segou e outras 226 chegaram em Mopti, vindas da região de Timbuku (no centro do país)”.

Edwards também disse que metade da etnia Konna (cerca de cinco mil pessoas), na região de Mopti, fugiu do local por meio do Rio Níger, buscando abrigo em regiões vizinhas. Mais ao sul, na região de Segou, cerca de 30 mil deslocados internos estão abrigados.

Bamako, já abriga em torno de 52 mil deslocados internos. Segundo o ACNUR, muitas famílias vivem em quartos precários, que têm falta de eletricidade e água potável. As necessidades financeiras, de abrigo e de comida são grandes e a agência de refugiados está trabalhando com parceiros para estabelecer atividades de geração de renda.

Até agora, o ACNUR recebeu 63% (cerca de 77,4 milhões de dólares) dos 123 milhões de dólares necessários para apoiar sua proteção aos deslocados internos e refugiados malianos.

Enquanto isso, o Programa Mundial de Alimentos (PMA) informou que  conseguiu, até agora, transportar alimentos de emergência para 270 mil pessoas afetadas pelos conflitos no norte do país, incluindo 70 mil deslocados internos. No entanto, o PMA afirma que a insegurança persistente limita o trabalho.

A Porta-Voz do PMA, Elisabeth Byrs, acrescentou que a agência continuará acompanhando a situação e trabalhará em estreita colaboração com os seus parceiros para atingir mais de 400 mil pessoas afetadas pela crise nas cidades de Tombuctu, Gao e Kidal, algumas das áreas mais afetadas.