Um número crescente de países enfrenta um duplo fardo, à medida que aumenta a prevalência de fatores de risco para doenças crônicas, como a diabetes, as doenças cardíacas e o câncer, e muitos países ainda lutam para reduzir as mortes maternas e infantis causadas por doenças infecciosas, afirma o relatório Estatísticas Mundiais de Saúde 2011 divulgado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) hoje (13/05).
Um número crescente de países enfrenta um duplo fardo, à medida que aumenta a prevalência de fatores de risco para doenças crônicas, como a diabetes, as doenças cardíacas e o câncer, e muitos países ainda lutam para reduzir as mortes maternas e infantis causadas por doenças infecciosas, afirma o relatório Estatísticas Mundiais de Saúde 2011 divulgado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) hoje (13/05).
Doenças não-transmissíveis como as doenças cardíacas, os derrames, a diabetes e o câncer, agora compõem dois terços de todas as mortes no mundo, devido ao envelhecimento da população e à propagação de fatores de risco associados à globalização e à urbanização. O controle dos fatores de risco como o tabagismo, o sedentarismo, a má alimentação e o uso excessivo de álcool se torna mais crítico. Os números mais recentes da OMS mostram que cerca de quatro em cada dez homens e uma em cada onze mulheres estão usando tabaco e cerca de um em cada oito adultos são obesos.
Além disso, muitos países em desenvolvimento continuam a confrontar problemas de saúde tais como a diarréia, a pneumonia e a malária, que têm maior probabilidade de matar crianças com menos de cinco anos de idade. Em 2009, 40% das mortes de crianças ocorreram entre os recém-nascidos (com 28 dias ou menos). Há ainda muito a ser feito para alcançar os ODM até 2015, mas o progresso acelerou:
- A mortalidade infantil diminuiu 2,7% por ano desde 2000, duas vezes mais rápido do que na década de 1990 (1,3%). A mortalidade entre crianças com menos de cinco anos caiu de 12,4 milhões em 1990 para 8,1 milhões em 2009;
- A mortalidade materna diminuiu 3,3% por ano desde 2000, quase duas vezes do que durante a década de 1990 (2%). O número de mulheres que morrem em consequência de complicações durante a gravidez e o parto diminuiu de 546 mil em 1990 para 358 mil em 2008.
“Isto realmente mostra que nenhum país do mundo pode tratar a saúde dirigindo-se apenas a doenças infecciosas ou a doenças não-transmissíveis. Cada um deve desenvolver um sistema de saúde que atenda a toda a gama de ameaças à saúde nas duas áreas,” disse o Diretor do Departamento de Estatísticas de Saúde e Informática da OMS, Ties Boerma.
O relatório mostra também que mais dinheiro está sendo gasto em saúde e que as pessoas podem esperar viver mais tempo (a expectativa de vida em 2009 era de 68 anos, acima dos 64 anos em 1990), mas a diferença dos gastos em saúde entre os países de alta e de baixa renda continua a ser muito grande:
- Em países de baixa renda, as despesas de saúde per capita são estimadas em 32 dólares (ou cerca de 5,4% do produto interno bruto) e, em países de alta renda, em 4590 dólares (ou cerca de 11% do produto interno bruto);
- Países de alta renda têm, per capita, em média, dez vezes mais médicos, doze vezes mais enfermeiros e parteiras e 30 vezes mais dentistas do que países de baixa renda;
- Praticamente todos os partos em países de alta renda são atendidos por pessoal de saúde qualificado, mas este é o caso de apenas 40% dos partos em países de baixa renda.
As Estatísticas Mundiais de Saúde é um relatório anual com base em mais de 100 indicadores de saúde relatados pelos 193 Estados-membros da OMS e outras fontes confiáveis. Esses dados fornecem um quadro instantâneo da situação da saúde global e suas tendências. No entanto, informações de saúde rápidas e precisas são difíceis de obter em algumas partes do mundo, devido à precariedade dos sistemas de informação de saúde de alguns países.
“Enquanto o relatório é uma prova inequívoca das melhorias que ocorrem na coleta de informações, ainda existem grandes lacunas de dados relativos à saúde global,” disse o Coordenador de Mortalidade e Prevalência da Doença da OMS, Colin Mathers. “A OMS está empenhada em trabalhar com seus Estados-membros, agências da ONU e outros parceiros para continuar a melhorar a informação disponível para monitorar a saúde dos povos do mundo e a eficácia dos sistemas de saúde.”
O lançamento do relatório coincide com o lançamento do novo Observatório de Saúde Global da OMS, um site que serve como um banco único de dados e análises sobre as prioridades de saúde em todo o mundo. O Observatório oferece fácil acesso à mais completa coletânea de dados de saúde do mundo, reunindo dados da OMS relativos a todos os programas de saúde e doença. Isso inclui o acesso fácil a mais de 50 bancos de dados e 800 indicadores com análises da situação de saúde e tendências globais, abrangendo temas prioritários de saúde, como a saúde infantil, materna e reprodutiva, as doenças infecciosas, as doenças não-transmissíveis e os fatores de risco, a saúde ambiental, a mortalidade e os custos das doenças, a segurança rodoviária, os sistemas de saúde e a igualdade.