O próximo secretário-geral da ONU, António Guterres, disse nesta quinta-feira (13) que fará a dignidade humana o centro de sua atuação à frente nas Nações Unidas, durante discurso à Assembleia Geral após sua nomeação para o cargo.
“Nos últimos dez anos, testemunhei em primeira mão o sofrimento das pessoas mais vulneráveis do mundo, visitei zonas de guerra e campos de refugiados, onde alguém poderia legitimamente perguntar: o que aconteceu com a dignidade e o valor do ser humano?”, disse.

O secretário-geral designado, António Guterres, fala à Assembleia Geral na ocasião de sua nomeação como próximo chefe da organização. Foto: ONUAmanda Voisard
O próximo secretário-geral da ONU, António Guterres, disse nesta quinta-feira (13) que fará a dignidade humana o centro de sua atuação à frente nas Nações Unidas, durante discurso à Assembleia Geral após sua nomeação para o cargo.
“Nos últimos dez anos, testemunhei em primeira mão o sofrimento das pessoas mais vulneráveis do mundo, visitei zonas de guerra e campos de refugiados, onde alguém poderia legitimamente perguntar: o que aconteceu com a dignidade e o valor do ser humano?”, disse.
“O que nos tornou imunes aos apuros daqueles social e economicamente desprivilegiados? Tudo isso me faz sentir a aguda responsabilidade de fazer a dignidade humana o centro do meu trabalho, e, acredito, o centro de nosso trabalho comum”, completou.
Nascido em Lisboa, o engenheiro António Guterres, de 67 anos, foi primeiro-ministro de Portugal entre 1995 e 2002. Em 2005, assumiu a chefia da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), cargo que exerceu até dezembro do ano passado.
Segundo Guterres, seu sentimento foi de “gratidão e humildade” ao saber da indicação do Conselho de Segurança de seu nome para chefiar as Nações Unidas, anunciada na semana passada. “É com a mesma gratidão e humildade que eu falo a vocês hoje, agora munido de um profundo senso de responsabilidade”, declarou.
“Sou grato em primeiro lugar à Assembleia Geral e ao Conselho de Segurança por me confiarem a posição de secretário-geral das Nações Unidas em uma notável manifestação de consenso e unidade”, disse. “Também sou grato à transparência e abertura do processo de escolha e aos competentes, atenciosos e dedicados candidatos que se apresentaram.”
Para Guterres, que assume o cargo em janeiro do ano que vem, a seleção significou que o “verdadeiro vencedor do processo foi a credibilidade da ONU”. Pela primeira vez, os candidatos ao cargo apresentaram-se publicamente foram sabatinados por diplomadas e membros da sociedade civil.
“Estou totalmente ciente dos desafios que a ONU enfrenta e das limitações que circundam o secretário-geral”, disse, completando que os problemas de um mundo tão complexo só podem inspirar uma abordagem “humilde”.
“Faço um chamado ao apoio de todos os Estados-membros, e de todas as estruturas da organização, para não permitir que comportamentos repugnantes prejudiquem o heroísmo do serviço das Nações Unidas”, afirmou.
Ban elogia aclamação de Guterres
O atual secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, cumprimentou nesta quinta-feira seu sucessor no cargo. “Parabéns”, disse Ban em português. “Cumprimento os Estados-membros não apenas por sua escolha, mas pela forma com a qual ela foi tomada”, completou, citando as audiências públicas realizadas com os candidatos.
“Muitas mulheres e homens altamente qualificados tiveram acesso a uma plataforma única com a qual compartilharam sua visão e responderam a perguntas da comunidade diplomática e da sociedade civil”, afirmou Ban. “Esses novos passos estabeleceram um novo padrão de abertura e engajamento”.
Ban disse ainda que o novo secretário-geral é bastante conhecido na Assembleia Geral. “Mas ele é, talvez, mais conhecido onde mais conta: nas frentes dos conflitos armados e de sofrimento humanitário”.
“Na última década, o trabalho da Agência da ONU para Refugiados e de outros atores humanitários foi essencial para a vida de milhões de pessoas forçadas a deixar suas casas”, declarou Ban. “Eles também entregaram algo além: compaixão”.
Ban também lembrou a “sólida e profunda” experiência política de Guterres e disse que ele reconhece a importância crucial do empoderamento das mulheres no mundo
“Há muito valorizo seus conselhos, e há muito admiro seu espírito de serviço. Ele é uma escolha maravilhosa para dirigir esta organização, enquanto damos andamento ao progresso da última década no combate à insegurança e às incertezas do mundo de hoje.”
“Enquanto me preparo para entregar o bastão da liderança, sei que os Estados-membros, as extraordinárias mulheres e homens das Nações Unidas, e as pessoas do mundo, estão ansiosas por seu mandato, com confiança e emoção”, concluiu Ban.