Novos combates na República Centro-Africana ameaçam civis, alerta ONU

Quase 168 mil crianças que frequentavam a escola antes da crise já não estão estudando. Destas, 20% estariam sendo recrutadas à força por grupos armados.

Quase 168 mil crianças que frequentavam a escola antes da crise já não estão estudando. Destas, 20% estariam sendo recrutadas à força por grupos armados.

Crianças deslocadas pela violência na República Centro-Africana (RCA) assistem a uma aula ao ar livre em um acampamento. Foto: ACNUR/D. Mbaiorem.

Crianças deslocadas pela violência na República Centro-Africana (RCA) assistem a uma aula ao ar livre em um acampamento. Foto: ACNUR/D. Mbaiorem.

A agência de refugiados das Nações Unidas alertou nesta sexta-feira (15) para os novos combates na República Centro-Africana (RCA) que voltaram a ameaçar civis no sudeste do país e comprometer o acesso aos refugiados e às pessoas deslocadas internamente.

A agência está “cada vez mais preocupada com a situação”, disse Fatoumata Lejeune-Kaba, porta-voz do Alto Comissariado da ONU para Refugiados (ACNUR) a jornalistas em Genebra.

Uma aliança de grupos rebeldes conhecidos coletivamente como “Séléka” está avançando para o leste com destino à cidade de Zemio, onde 3.300 pessoas se refugiaram. Na terça-feira (12), o grupo tomou a importante cidade de Bangassou, a porta de entrada para o sudeste do país e um ponto crítico de reabastecimento para os trabalhadores humanitários.

O risco de segurança obrigou o ACNUR e outras agências humanitárias a realocar temporariamente alguns funcionários para a capital do país, Bangui.

“Embora ainda tenhamos alguns funcionários no local, os serviços para os refugiados foram reduzidos”, disse Lejeune-Kaba.

Confrontos desde dezembro de 2012 entre as forças do Séléka e o Exército restringiram seriamente o acesso humanitário a cerca de 5.300 refugiados e mais de 175 mil pessoas deslocadas internamente, informou a agência. Além disso, cerca de 29 mil civis fugiram para a vizinha República Democrática do Congo (RDC), enquanto 5 mil cruzaram para o Chade.

A maioria dos deslocados internos com os quais o ACNUR e seus parceiros reuniram-se nos últimos dois meses têm dito que eles vivem em meio ao medo e à insegurança.

Enquanto isso, 99% das 168 mil crianças que frequentavam a escola antes da crise já não estão estudando.

“Ainda mais preocupante, uma em cada cinco das crianças fora da escola estariam sendo sido recrutadas à força por grupos armados”, disse Lejeune-Kaba.

Representante Especial do Secretário-Geral na RCA, Margaret Vogt. Foto: ONU/JC McIlwaine.

Representante Especial do Secretário-Geral na RCA, Margaret Vogt. Foto: ONU/JC McIlwaine.

A Representante Especial do Secretário-Geral na RCA, Margaret Vogt, advertiu esta semana que, sem uma resposta forte da comunidade internacional, não há futuro para o país.

Segundo Vogt, os rebeldes não apoiaram o acesso humanitário, piorando o cenário de atrocidades atualmente ocorrendo. “No melhor dos tempos, a situação humanitária não é bom, mas agora a população está completamente sem apoio”, acrescentou.

As forças Séléka e as autoridades da RCA haviam chegado a um acordo de cessar-fogo em 11 de janeiro deste ano, com a expectativa de uma governança compartilhada, mas os rebeldes afirmaram que o governo não estariam mantendo os compromissos prometidos.