Prisões arbitrárias, tortura, extorsão, assaltos, violência física e outros ataques contra civis fazem com que milhares de pessoas se desloquem e busquem refúgio.

Milhares de pessoas foram forçadas a deixar suas casas por causa de novos conflitos em Bangui, capital da República Centro-Africana (RCA). Foto: ACNUR/D.Mbaiorem
As autoridades na República Centro-Africana (RCA) devem proteger os civis dos combates que já mataram pelo menos dez pessoas e forçaram milhares a fugir de suas casas em Bangui, capital da RCA, disse a agência das Nações Unidas para refugiados nesta quinta-feira (29).
“Pedimos às autoridades que utilizem todos os meios para acabar com os ataques contra civis, restaurar a segurança e proteger a população”, disse a vice-diretora do Escritório africano do Alto Comissariado da ONU para Refugiados (ACNUR), Liz Ahua, acrescentado que “desde a semana passada, estamos diante de uma situação de segurança confusa. As pessoas estão deixando suas casas para escapar da violência e dos abusos”.
Segundo o ACNUR, nos últimos dez dias prisões arbitrárias, detenções, tortura, extorsão, assaltos à mão armada, violência física, restrição de movimento, saques e outros ataques contra civis fizeram com que milhares de pessoas se deslocassem. A agência disse que as pessoas afetadas, principalmente dos bairros de Boy-Rabe e Boeing, estão buscando refúgio em outras partes da capital. Cerca de 500 pessoas estão abrigadas no Hospital d’Amitié, onde as condições sanitárias precárias e a superlotação são preocupantes.
Até esta quinta-feira (29) mais de 5 mil pessoas, incluindo mulheres e crianças, fugiram do bairro de Boeing e estão refugiadas no aeroporto internacional de Bangui, bloqueando a região e forçando os voos a serem redirecionados para Camarões.
Antes dos recentes conflitos mais de 206 mil pessoas já estavam deslocadas internamente na RCA. Cerca de 63 mil pessoas fugiram para os países vizinhos desde a última crise política no país que começou em dezembro.
Os combates deterioraram a situação humanitária na RCA, acabando até mesmo com os serviços mais básicos e afetando toda a população de 4,6 milhões de pessoas, metade das quais são crianças.