Novos conflitos na República Democrática do Congo deslocam cerca de 80 mil pessoas, afirma ONU

“Casos de estupros, sequestros e outros abusos cometidos por homens armados têm sido relatados”, disse o porta-voz da Missão da ONU na RDC, Madnodje Mounoubai.

Pessoas deslocadas na província Orientale, na República Democrática do Congo (RDC), recebem ajuda alimentar. Foto: UNOCHA/Y.Edoumou

Pessoas deslocadas na província Orientale, na República Democrática do Congo (RDC), recebem ajuda alimentar. Foto: UNOCHA/Y.Edoumou

Após repetidos confrontos entre o exército nacional e rebeldes, cerca de 80 mil pessoas foram expulsas de suas casas por causa de um novo surto de violência no leste da República Democrática do Congo (RDC) em agosto deste ano, informou a ONU nesta quarta-feira (18).

“Casos de estupros, sequestros e outros abusos cometidos por homens armados têm sido relatados”, disse o porta-voz da Missão das Nações Unidas de Estabilização na RDC (MONUSCO), Madnodje Mounoubai, em uma coletiva de imprensa, alertando que a população estava vivendo em condições precárias.

“Aldeias inteiras foram deixadas por seus moradores. Acredita-se que muitos dos deslocados, temendo a violência dos rebeldes, ainda estão escondidos nas florestas em áreas de difícil acesso”, disse ele.

O porta-voz da Missão ressaltou que as organizações humanitárias estão preocupadas com a situação na região de Ituri, na província de Orientale, onde o exército nacional e a Frente Patriótica de Ituri (FPRI) têm se enfrentado repetidamente desde 22 de agosto.

Mounoubai disse que, ao todo, 120 mil pessoas têm sido afetadas pela violência em Irumu, na região de Ituri, através da destruição de casas e saques de propriedades e bens da população.

Conflitos esporádicos entre o exército e a FPRI estouraram no último fim de semana (14 e 15), com ambos os lados usando metralhadoras pesadas, morteiros e lançadores de foguetes.

No dia 28 de março deste ano, o Conselho de Segurança da ONU autorizou a criação de uma brigada de intervenção para realizar operações ofensivas, com ou sem as forças nacionais, contra os grupos armados que ameaçam a paz no leste do país.

Ao mesmo tempo, o Conselho apelou aos rebeldes para que cessem imediatamente todas as formas de violência e atividades desestabilizadoras e pediu a deposição imediata e permanente de armas.

Atualmente, um brasileiro comanda a Missão na RDC, a maior da ONU em todo o mundo. O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, anunciou em maio a nomeação do general de divisão brasileiro Carlos Alberto dos Santos Cruz como comandante da Força militar da MONUSCO.