Número de crianças pedindo asilo na Europa dobrou este ano, segundo agências da ONU

Aproximadamente um terço dos refugiados que morreram no Mar Egeu eram crianças. UNICEF destaca a vulnerabilidade das crianças na jornada para a Europa e os procedimentos tomados nas fronteiras.

ACNUR colabora no resgate de crianças sírias no Mar Mediterrâneo. Foto: ACNUR/Andrew McConnell

ACNUR colabora no resgate de crianças sírias no Mar Mediterrâneo. Foto: ACNUR/Andrew McConnell

O número de crianças pedindo por asilo na União Europeia dobrou este ano em relação a 2014, e cerca de um terço dos refugiados e migrantes que se afogaram no mar Egeu eram crianças, de acordo com informações do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) publicadas na terça-feira (1).

Neste ano, crianças representam um quarto das 730 mil pessoas que chegaram na Europa na Grécia, através do Mediterrâneo ou pela rota dos Bálcãs, segundo a agência da ONU e a Organização Internacional para as Migrações (OIM).

Depois de uma redução no mês de novembro, o número de chegadas à Grécia voltou a crescer, como desembarque de outras 2.5 mil pessoas na segunda-feira (30), de acordo com o porta-voz do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), William Spindler. Aproximadamente, 140 mil pessoas cruzaram o Mediterrâneo em novembro, comparado a 220 mil em outubro. A diminuição se deveu ao tempo e à repressão da Turquia ao tráfico de pessoas.

Somente em outubro, ao menos 90 crianças morreram no Mediterrâneo Oriental. A maioria das crianças que se afogaram neste ano é síria, afegã e iraquiana e tinha menos de 12 anos.

“Travessias imprevisíveis na fronteira dos Bálcãs, os procedimentos tomados nessas fronteiras e o inverno rigoroso aumentaram os desafios para as crianças enfrentam ao deslocar-se”, afirmou a porta-voz do UNICEF, Sarah Crowe.

“No mês passado, 52% das pessoas que cruzaram a divisa nos Bálcãs eram mulheres e crianças, um aumento de 27% do verão. Essa crise se tornou uma crise de crianças e suas mães”, completou Crowe, acrescentando que , entre o grupo, há mulheres que acabaram de dar à luz, bebês, crianças pequenas, com deficiência e meninos e meninas separados de suas famílias durante a jornada.

O relatório também destaca que 61% dos refugiados e migrantes na Grécia são da Síria, 22% do Afeganistão, 7% do Iraque, e 3% do Paquistão – todos afetados por conflito, insegurança e instabilidade política.