Acesso à informação e às TIC estimulam a paz e o desenvolvimento na África

Agora, mais do que nunca, saúde pública, prosperidade social e crescimento econômico são inseparáveis do progresso técnico. No entanto, os ecossistemas tecnológicos não podem atingir as metas de desenvolvimento econômico sem o acesso à informação. Este e outros assuntos como inteligência artificial e tecnologias emergentes foram debatidos durante o segundo Fórum Regional Africano de Ciência, Tecnologia e Inovação, que ocorreu no Zimbábue em fevereiro. Com a pandemia da COVID-19, o compromisso de vincular tecnologia e acesso à informação ecoam ainda mais forte.

O evento foi realizado em cooperação com a UNESCO, que defende a inclusão, a paz, a participação e a igualdade, por meio do uso inovador das tecnologias da informação e comunicação (TIC) e é comprometida com o avanço da tecnologia e o acesso a políticas de informação para o desenvolvimento sustentável.

Foto: UNESCO

A ligação entre a tecnologia e o acesso à informação foi especialmente marcada em Victoria Falls, no Zimbábue, durante o segundo Fórum Regional Africano de Ciência, Tecnologia e Inovação (African Regional Science, Technology and Innovation Forum), que ocorreu de 24 a 27 de fevereiro de 2020. O evento foi parte do marco de ação da sexta sessão do Fórum Regional de Desenvolvimento Sustentável (Africa Regional Forum on Sustainable Development).

Intitulado “2010-2030: uma década para produzir uma África próspera e transformada por meio da Agenda 2030 e da Agenda 2063”, o Fórum foi organizado pelo Ministério da Educação Superior e Terciária, Inovação, Ciência e Desenvolvimento Tecnológico do Zimbábue. O evento foi realizado em cooperação com a UNESCO, a Comissão da União Africana (UA) e o Departamento de Ciência e Inovação da África do Sul.

Um destaque durante o evento foi a sessão dedicada ao papel da tecnologia, da inovação e da acessibilidade à informação no avanço do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 16 para “promover sociedades pacíficas e inclusivas para o desenvolvimento sustentável, fornecer acesso à justiça para todos, construir uma política eficaz, e instituições responsáveis e inclusivas em todos os níveis”. Esta sessão reuniu palestrantes e representantes de instituições regionais e da sociedade civil, bem como organizações internacionais, para compartilharem ideias sobre como as tecnologias emergentes e o acesso à informação podem avançar de forma efetiva os mandatos globais e continentais.

Em sua palestra, Emeka Joseph Nwagboso, do Pink Blue Project, um dos vencedores do concurso Innovation in Action, discutiu como as TIC têm o potencial de fornecer acesso à assistência médica a pacientes com câncer na Nigéria e estimular ações contra a doença. Ele falou sobre como o aplicativo Pink Blue fornece aos pacientes acesso imediato a centros de tratamento do câncer, navegadores de suporte por pares e informações sobre o câncer disponíveis em vários idiomas, incluindo o pidgin.

Com relação ao perigo do uso de informações falsas em todo o continente africano, o fundador e editor-chefe da revista zimbabuana “TechnoMag”, Toneo Tonderai Rutsito, disse que a desinformação e as informações incorretas “são barreiras à conquista da paz no contexto africano”. Para promover a paz, ele e outros membros do painel afirmaram que a proteção aos trabalhadores digitais, incluindo jovens trabalhadores em treinamento em inovação e tecnologia, e o acesso aberto à informação deve ser uma prioridade imediata para os governos.

A conferência também debateu como a inteligência artificial (IA) pode desempenhar um papel fundamental no crescimento econômico nos âmbitos regional e continental.

Tanto o diretor do Instituto Africano de Desenvolvimento Econômico e Planejamento, Karima Bounemra Ben Soltane, como o ex-ministro de Ciência de Ruanda, Romain Murenzi, insistiram que a formulação de políticas e a provisão estatal adequadas devem acompanhar o desenvolvimento da IA para prevenir e mitigar seus efeitos negativos quando essas tecnologias começarem a ser integradas nas economias africanas.

Um tema transversal do evento foi que os governos africanos deveriam acelerar seus esforços na implementação de leis de acesso à informação, de modo a promover o compartilhamento de informações e dados, a transparência e a ciência aberta para alcançar o desenvolvimento sustentável.

Comprometida com o avanço da tecnologia e o acesso a políticas de informação para o desenvolvimento sustentável, a UNESCO promove a criação de sociedades do conhecimento. Isso inclui a defesa da inclusão, da paz, da participação e da igualdade, por meio do uso inovador das tecnologias da informação e comunicação (TIC). Na África e em outros lugares, a UNESCO promove a causa do acesso público à informação como um direito que possibilita justiça, paz e instituições fortes.

O trabalho da UNESCO no monitoramento e elaboração de relatórios sobre o acesso público à informação foi possível com o apoio da Agência Sueca de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento (SIDA), e da Alemanha e dos Países Baixos, que contribuíram para o Programa Internacional para o Desenvolvimento da Comunicação (IPDC).

Para mais informações sobre as ações de apoio à mídia, melhoria no acesso à informação e avanço das tecnologias digitais no combate à pandemia, acesse: https://pt.unesco.org/covid19/communicationinformationresponse