“Os mais pobres são descartados pela sociedade e são obrigados a viver com o que é descartado por ela”, disse o Papa em seu discurso na sede da ONU em Nova York.
Em visita histórica à sede das Nações Unidas, em Nova York, o Papa Francisco participou, nesta sexta-feira (25), da Assembleia Geral da ONU. Foi a primeira vez em que um pontífice discursou no plenário da ONU, em um momento em que a Organização comemora os seus 70 anos de existência e justo antes do início da Cúpula de Desenvolvimento Sustentável, onde líderes globais adotarão a nova agenda para promover um mundo mais justo e saudável para as futuras gerações. Em pronunciamento, o chefe da Igreja Católica convocou líderes mundiais a se unirem para preservar o meio ambiente e acabar com a exclusão socioeconômica.
“Os mais pobres são descartados pela sociedade e são obrigados a viver com o que é descartado por ela”, condenou o Papa. O pontífice defendeu uma maior igualdade de participação entre os países nos órgãos de deliberação internacional, como o Conselho de Segurança e instituições financeiras. “Devemos assegurar que os países em desenvolvimento não sejam submetidos a sistemas opressivos de financiamento e cooperação”, afirmou.
O líder da Igreja Católica espera que os países se comprometam a realizar os novos Objetivos Globais das Nações Unidas. “A nova Agenda para o desenvolvimento será o acesso efetivo de todos para os bens materiais e espirituais: moradia, trabalho justo, alimentação, liberdade religiosa e educação”, disse.

O papa Francisco assinou o livro de visitantes da ONU. Foto: ONU
Para Francisco, a Cúpula da ONU sobre o Desenvolvimento Sustentável e a Conferência do Clima de Paris, que acontece em dezembro, serão momentos cruciais para a comunidade internacional. “Nossa união será testada”, destacou. Segundo o Pontífice, todas as propostas e acordos entre os países devem se traduzir em ação concreta. “Sem o reconhecimento de certos limites éticos e sem a imediata implementação de princípios de desenvolvimento, a tentativa de salvar gerações futuras corre o risco de se transformar em ilusão”, criticou.
O pontífice defendeu a necessidade de preservar o meio ambiente e combater as mudanças climáticas. “A crise econômica que leva à destruição da biodiversidade pode colocar em perigo a existência humana”, afirmou.
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, elogiou a atuação do Papa. “Você luta todos os dias para incluir os excluídos. Sua casa não é em palácios, mas entre os pobres”, disse. O dirigente ressaltou as afinidades entre as propostas do Pontífice e as atividades das Nações Unidas. “Você frequentemente já falou de uma “ecologia integral”, uma que englobe o meio ambiente, crescimento econômico, justiça social e bem-estar humano”, destacou.
O papa ainda convocou as lideranças políticas a se engajarem efetivamente na resolução de conflitos armados e no combate à perseguição religiosa e étnica. “Eu reafirmo meus repetidos apelos no que tange à situação dolorosa do Oriente Médio inteiro, do Norte da África e outros países africanos”, afirmou. Para o pontífice, a guerra é a negação de todos os direitos e uma dramática agressão ao meio ambiente.
Francisco também chamou a atenção para causas pouco lembradas nas discussões sobre a paz mundial. “Uma guerra assumida e pobremente combatida, o narcotráfico traz mortes, lavagem de dinheiro, exploração infantil, tráfico de pessoas e outras formas de corrupção que penetram a vida social”, alertou. O Papa também ressaltou a urgência de um tratado que assegure o fim dos armamentos nucleares no mundo. “Temos que empreender esforços para chegar a um mundo livre de armas nucleares”, afirmou.
Confira o discurso na íntegra, em espanhol:
