‘O governo não vai vencer e a oposição não vai ganhar’, diz enviado da ONU sobre crise síria

Enviados da ONU e da Liga Árabe, Lakhdar Brahimi reiterou que a única solução para a crise humanitária é política. “Não há uma solução militar.”

Menina carrega baldes de água e passa por uma pilha de escombros em uma rua em Aleppo, na Síria. Foto: UNICEF/Romenzi

Menina carrega baldes de água e passa por uma pilha de escombros em uma rua em Aleppo, na Síria. Foto: UNICEF/Romenzi

Os esforços internacionais continuam acelerados para trazer uma solução pacífica para a crise na Síria. Dois funcionários das Nações Unidas relataram nesta terça-feira (5) o progresso de seus trabalhos para a convocação de uma conferência política que trará todas as partes do conflito para a mesa de negociações.

A ONU ainda tem esperanças que a Conferência de Genebra II aconteça antes do final do ano, disse o representante especial conjunto da ONU e da Liga dos Estados Árabes, Lakhdar Brahimi, a jornalistas em Genebra, reiterando a importância de uma solução política para a crise, que já está em seu terceiro ano.

Apesar das discussões trilaterais entre a ONU, a Rússia e os Estados Unidos, os diplomatas não foram capazes de anunciar uma data para a conferência e um reencontro para o dia 25 de novembro. Brahimi observou que parte do atraso na convocação da conferência é devido a problemas internos da oposição síria.

“Eles estão divididos, isso não é segredo para ninguém, e estão enfrentando todos os tipos de problemas e estão trabalhando muito, muito duro para ficarem prontos”, disse ele, acrescentando que espera que a oposição seja capaz de concordar com uma delegação para participar da potencial conferência.

Brahimi observou que, a pedido do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, o Kuwait sediaria a segunda conferência de doadores para aumentar a ajuda aos refugiados sírios. A primeira conferência arrecadou 1,5 bilhão de dólares.

“Espero que os doadores sejam igualmente generosos”, disse Brahimi, acrescentando que a solução atual para o desastre humanitário não é sustentável e reiterando a necessidade de uma solução política para o conflito.

“A única solução para a crise humanitária é política”, reiterou. “Não há uma solução militar. O governo não vai vencer e a oposição não vai ganhar.”

Progresso da Missão Conjunta da OPAQ e da ONU na destruição de armas químicas na Síria

Após sua reunião com o Conselho de Segurança da ONU, a coordenadora especial da Missão Conjunta da Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ) e da ONU, Sigrid Kaag, encarregada de supervisionar a destruição do programa de armas químicas da Síria, disse que apresentou um relatório sobre o primeiro mês completo de trabalho da Missão.

Ela relatou para o Conselho os progressos atuais da Missão “em circunstâncias complicadas” e acrescentou que as autoridades sírias cooperaram de forma construtiva. Kaag também ressaltou a necessidade de uma futura assistência internacional sujeita à aprovação do plano de destruição apresentado pelo governo sírio.

De acordo com Kaag, membros do Conselho também perguntaram sobre os dois locais que a Missão tinha sido incapaz de visitar. Esses locais foram inicialmente declarados como “abandonados” pelo governo sírio a OPAQ.

Ela reiterou a intenção da Missão de enviar inspetores para visitar esses locais no futuro, “sujeito às condições de segurança no país”.