“A capacidade e o financiamento da operação humanitária não conseguem responder às imensas necessidades emergenciais”, disse o o subsecretário-geral para as Operações de Manutenção da Paz.

Refugiados sul-sudaneses, muitos deles mulheres e crianças, chegam de barco à Etiópia. Foto: ACNUR/L.F. Godinho
“A proporção das operações humanitárias no Sudão do Sul chegou a tal ponto que hoje constitui a maior operação de ajuda dentro de um único país”, relatou o subsecretário-geral da ONU para as Operações de Manutenção da Paz, Edmond Mulet ao Conselho de Segurança da ONU, nesta quarta-feira (06), alertando que o país está à beira de catástrofe humanitária e de um prolongado conflito interno.
“Esta é uma crise criada pelos homems e os responsáveis estão agindo lentamente para resolvê-la. Ambos os lados continuam a acreditar que podem conseguir mais através da continuação do conflito militar”, disse Mulet. “No entanto, a capacidade e o financiamento da operação humanitária não conseguem responder às imensas necessidades emergenciais”, acrescentou.
Embora a assistência humanitária tenha atingido cerca de 2,4 milhões de pessoas no Sudão do Sul, os esforços de ajuda foram prejudicados pela insegurança, a dificuldade de acesso e o financiamento insuficiente. Estima-se que 1,5 milhões de pessoas estão deslocadas pela violência e 434 mil fugiram pelas fronteiras. Cerca de 100 mil civis deslocados procuraram abrigo nas bases da ONU em todo o país.
Cerca de 3,9 milhões de civis estão enfrentando níveis alarmantes de insegurança alimentar. Só neste ano, quase 50 mil crianças sofrem o risco de morte em consequência da desnutrição aguda. E a epidemia de cólera continua a crescer com mais de 5,3 mil casos e 115 mortes. Além disso, o alto funcionário da ONU alertou que os trabalhadores humanitários também têm sido alvos dos conflitos, ao lembrar a morte de cinco trabalhadores humanitários sul-sudaneses de organizações não governamentais no Alto Nilo na última segunda-feira (04).
Por outro lado, Edmond Mulet e Ban Ki-moon elogiaram o retorno das negociações de paz entre as partes em conflito em Adis Abeba, Etiópia, mediada pela Autoridade Intergovernamental para o Desenvolvimento (IGAD) e juntos exortam mais uma vez que o governo e a oposição construam um diálogo significativo e avancem o processo político de paz. Ainda neste mês, o Conselho de Segurança da ONU fará uma visita ao Sudão do Sul e a ocasião deve levar a atenção internacional para a situação crítica do país.