Vencedores conjunto do Prêmio Nansen para Refugiados 2016, os voluntários do ‘Hellenic Rescue Team’ compartilham suas experiências sobre um ano traumático.

Antigioni Piperaki (esquerda) e Panagiotis Konstantaras (direita) são voluntários da equipe de resgate ‘Hellenic Rescue Team’ em Lesbos, na Grécia. Foto: ACNUR/G. Welters
Em uma pequena taberna, olhando o litoral de Lesbos, Panagiotis Konstantaras e Antigoni Piperaki fazem uma pequena pausa de seu trabalho como voluntários do Hellenic Rescue Team (HRT) para refletir sobre alguns momentos do ano que eles jamais se esquecerão.
“Nós costumávamos realizar treinamentos com cinco ou dez pessoas a bordo”, lebrou Antigoni. “Mas quando você vê um barco com 50 pessoas, você diz ‘o que eu vou fazer agora?’ Nessas horas você não sabe nem o que pensar.”
Os dois fazem parte da equipe de resgate HRT que realizou operações no ápice da crise de refugiados de 2015, na ilha de Lesbos, quando o número de recém-chegados somava 10 mil pessoas por dia.
Voluntários passam a maior parte do ano em alerta e invariavelmente se dedicam além do planejado para resgatar refugiados em apuros no mar. Muitos voluntários, como Panagiotis e Antigoni, trabalharam dias e noites, realizando verdadeiros malabarismos entre seus empregos e estudos com as missões de resgate, dispondo de recursos limitados e muitas vezes recebendo ligações da guarda costeira logo pelas primeiras horas da manhã.
“No início de março, os números começaram a crescer muito. Havia cerca de dez barcos da guarda costeira. Mas mesmo assim não era suficiente”, disse um dos voluntários
Panagiotis é um fazendeiro que também se voluntariou como mergulhador na HRT em Lesbos. Ele se lembra do exato momento de 2015 quando deu uma guinada para pior.
“No início de março, os números começaram a crescer muito”, disse. “Havia cerca de dez barcos da guarda costeira. Mas mesmo assim não era suficiente. Das seis às dez da manhã, costumávamos ter de 35 a 40 barcos cheios de refugiados.”
Com o passar do tempo, a situação foi se agravando. “Às vezes encontrávamos grandes embarcações, mas elas não eram seguras”, acrescentou.
“Havia um barco de madeira, madeira velha, e duzentas pessoas a bordo. Em 2015 testemunhamos um grande acidente em um barco de três andares lotado de pessoas. Quando ele se virou, elas foram imediatamente esmagadas. Passamos mais de uma semana procurando e recolhendo os corpos”, relatou. “Já não me emociono tanto. Tento não ver os rostos.”
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