Um dos temas abordados foi a importância dos indígenas no cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

Oficial encarregado do PNUD, Carlos Benítez, fala sobre a questão indígena, o PNUD e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Crédito: Tiago Zenero/PNUD Brasil.
Cerca de 700 metros quadrados de área construída, com capacidade para aproximadamente 500 pessoas, a Oca da Sabedoria é, como o próprio nome sugere, um espaço para debate, reflexão, intercâmbio cultural, mostra artesanal, interação entre indígenas e outros povos. Foi nesse ambiente, confeccionado com bambu tratado, juta e esteiras de palha que o oficial encarregado do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), Carlos Benítez, conversou, na manhã do último sábado (24), com dezenas de indígenas e não-indígenas sobre questões indígenas no Brasil, o trabalho do PNUD e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).
O tom informal do encontro permitiu maior interação entre os participantes e Benítez, que iniciou sua fala com uma saudação em português e outra em guarani. “Estou aqui representando o PNUD, mas também como um descendente de indígenas”, iniciou Benítez, que prosseguiu destacando que “o jeito que o PNUD trabalhava desenvolvimento mudou, pois agora a visão é de desenvolvimento multidimensional”. Nesse contexto, destacou a importância das questões e povos indígenas, sobretudo no momento em que a ONU adota formalmente os ODS. Presente na Oca da Sabedoria, a representante residente adjunta, Maristela Baioni, lembrou que, no âmbito da Agenda 2030, “ninguém pode ficar para trás”.
Após a fala inicial de Benítez, vários dos presentes fizeram perguntas e expressaram suas preocupações com a situação do indígena no Brasil, como a professora de Educação Básica da rede estadual de Tocantins, Seila Alves Puga, que defendeu a necessidade de maior representação indígena nos currículos das escolas. Sobre o mesmo tema, a mestre Márcia Guajajara, do Maranhão, denunciou o preconceito que indígenas sofrem no mercado de trabalho mesmo quando tem um diploma de Mestrado.
Para a indígena Charrúa Paula Suri Clanchonik, do Uruguai, sua etnia necessita de mais visibilidade, enquanto a artista visual e professora de artes Denise Cathilina defende a existência de um museu internacional para os povos indígenas. Presente na Oca da Sabedoria, o articulador dos I JMPI, Marcos Terena, ao abrir o encontro, antecipou o clima quando afirmou que “não estamos aqui brincando de jogos; estamos fazendo política”.
Benítez encerrou sua participação no encontro ressaltando a “oportunidade incrível” que o evento está proporcionando aos indígenas, que têm nos I JMPI uma plataforma para expressar suas ideias, tradições, reivindicações. Novamente em guarani, despediu-se dizendo que “uma nação indígena está em toda a América do Sul, não apenas em um país”. Saiba mais sobre este encontro clicando aqui.