Dois anos de instabilidade e insegurança tiveram efeito devastador em todos os aspectos da vida no Iraque. A população continua a enfrentar desafios humanitários imensos, incluindo deslocamentos forçados, destruição de casas e dificuldade de acessar assistência humanitária.

Duas crianças que fugiram da violência no Iraque. Foto: ONU/Bikem Ekberzade
Retornando de uma visita ao Iraque, um oficial sênior das Nações Unidas lembrou na quarta-feira (23) a piora da situação de mais de 10 milhões de pessoas no país, e a urgência de se mobilizar mais recursos para uma resposta humanitária.
“Enquanto o conflito se expande e fica mais complexo, milhões de pessoas no Iraque precisam cada vez mais de assistência internacional”, disse o diretor de operações do Escritório das Nações Unidas de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), John Ging.
De acordo com a ONU, dois anos de instabilidade e insegurança tiveram efeito devastador em todos os aspectos da vida no Iraque. A população continua a enfrentar desafios humanitários imensos, incluindo deslocamentos forçados, destruição de casas e dificuldade de acessar assistência humanitária. Mais de 3,3 milhões de pessoas foram deslocadas pelo conflito desde janeiro de 2014.
Ging também declarou que o Iraque está entre os países mais mortíferos no mundo para civis, com milhares de feridos e mortos por explosivos e outros métodos relacionados ao conflito a cada ano. Em 2015, mais de 7,5 mil pessoas foram mortas e aproximadamente 15 mil ficaram feridas em atos de terrorismo, violência e conflito armado.
Em Bagdá, Ging visitou o campo de refugiados de Takia, e se reuniu com famílias forçadas a deixar suas casas, a maior parte nas regiões de Anbar e Salah al-Din. O representante da ONU reuniu-se com um grupo de adolescentes de Ramadi cujas famílias fugiram do Estado Islâmico em abril do ano passado.
“Fiquei impressionado com a enorme coragem e energia positiva dessas meninas que enfrentaram traumas e, mesmo assim, são inspiradoras em seu compromisso com os estudos e com a forte crença em um futuro melhor”, disse.
Em Erbil, Ging reuniu-se com famílias deslocadas que fugiram da violência em Mosul, da província de Ninewa e Sinjar, e estão agora vivendo em lugares precários como um criadouro de galinhas.
Em encontros com oficiais tanto do governo iraquiano como do governo regional do Curdistão, Ging os cumprimentou pela generosidade. “Comunidades por todo o Iraque têm mostrado solidariedade exemplar com os desabrigados. A região do Curdistão sozinha está recebendo mais de 1 milhão de deslocados. No entanto, eles têm recursos limitados que estão chegando à exaustão. Mais financiamento da comunidade internacional é urgentemente necessário – caso contrário, haverá um desastre.”
O oficial da ONU também elogiou as organizações humanitárias por seu trabalho sob a liderança da coordenadora humanitário no país, Lise Grande. “O Iraque é um dos ambientes mais complexos e perigosos para trabalhadores humanitários e sua coragem e dedicação é verdadeiramente inspiradora”, afirmou.
Ging fez um apelo urgente para doações adicionais para suprimentos e remédios. O Plano de Resposta Humanitária de 2016, preparado pela ONU e seus parceiros, é prioridade. Apesar disso, faltam 731 milhões de dólares no atual projeto, que está apenas 15% financiado.
Paralelamente, ele pediu às partes envolvidas nas operações militares que garantam a proteção de civis e a preservação da infraestrutura civil de acordo com as leis humanitárias internacionais. “A proteção de civis inocentes precisa ser a prioridade máxima não apenas na retórica, como principalmente na ação”, disse.