Oficial da ONU pede ajuda do Conselho de Segurança para poupar sírios de ‘devastação’

Um agravamento dos confrontos no norte da Síria ilustra a “fragilidade” da situação na região devastada pela guerra, disse na quinta-feira (29) uma autoridade humanitária sênior da ONU, pedindo esforços internacionais contínuos para proteger milhões de pessoas da “devastação”.

Informações sobre bombardeios – com morteiros supostamente contendo gás cloro – contra bairros densamente populosos em Alepo são especialmente preocupantes, disse a diretora de Operações e Advocacia do Escritório das Nações Unidas de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), Reena Ghelani, ao Conselho de Segurança.

Comboios da ONU em meio a prédios em ruínas na antiga cidade de Homs, na Síria. Foto: UNICEF/Ebo

Comboios da ONU em meio a prédios em ruínas na antiga cidade de Homs, na Síria. Foto: UNICEF/Ebo

Um agravamento dos confrontos no norte da Síria ilustra a “fragilidade” da situação na região devastada pela guerra, disse na quinta-feira (29) uma autoridade humanitária sênior da ONU, pedindo esforços internacionais contínuos para proteger milhões de pessoas da “devastação”.

Informações sobre bombardeios – com morteiros supostamente contendo gás cloro – contra bairros densamente populosos em Alepo são especialmente preocupantes, disse a diretora de Operações e Advocacia do Escritório das Nações Unidas de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), Reena Ghelani, ao Conselho de Segurança.

“Qualquer uso confirmado de armas químicas é repugnante e uma clara e escandalosa violação da lei internacional”, destacou.

O assessor sênior do enviado especial das Nações Unidas para a Síria, Jan Egeland, afirmou que ainda não se sabe se os foguetes disparados continham substâncias químicas e que a Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ) irá investigar a situação.

Pessoas com dificuldades respiratórias foram levadas para dois principais centros médicos na região, disse Ghelani, destacando que a Organização Mundial da Saúde (OMS) “permanece pronta para fornecer mais apoio de saúde pública, conforme necessário”.

Além disso, ataques aéreos também foram relatados na província de Idlib em 24 e 25 de novembro, disse Ghelani a membros do Conselho. Os relatos representam os primeiros incidentes do tipo em mais de dois meses, desde o acordo de desmilitarização entre Rússia e Turquia, em setembro.

“As apostas continuam altas, à medida que a alternativa é sofrimento humano em uma escala que irá devastar uma população de cerca de 3 milhões de pessoas no noroeste da Síria que não conheceram nada além de guerra e sofrimento nos anos recentes”, alertou.

Agentes humanitários da ONU estão ‘chocados’ com o que viram em Rukban

Sobre os esforços humanitários, Ghelani mencionou o comboio conjunto da ONU e do Crescente Vermelho Árabe-Sírio (SARC) para Rukban, mais cedo neste mês. Foi a primeira missão de alívio desde janeiro, levando comida e outros suprimentos essenciais para quase 50 mil pessoas deslocadas e permitindo que mais de 5 mil crianças fossem vacinadas contra doenças mortais.

A situação no local, no entanto, continua preocupante, disse, descrevendo como “colegas voltaram chocados do que viram em solo, relatando graves problemas de proteção, crescente insegurança alimentar e nenhum médico certificado entre a população necessitada”.

Dada a necessidade urgente e a chegada do inverno, o secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu o envio imediato de outro comboio.

Em outros lugares da Síria, confrontos continuam deslocando populações, e milhões continuam dependentes de assistência para sobreviver.

As crianças sírias são as mais afetadas. Mais de 50 mil no nordeste do país enfrentam desafios para ir à escola e receber educação e é estimado que 10 mil não vão às aulas desde setembro.