OIT: Emprego mundial sofre pressão de fraca recuperação econômica

Diretor-geral da agência da ONU lembrou, no entanto, que diversos países emergentes ou em desenvolvimento demonstraram maior resistência em relação a crises anteriores.

Diretor-geral da Organização Internacional do Trabalho (OIT), Guy Ryder. Foto: OITÉ provável que a persistente fraqueza da recuperação econômica aumente ainda mais a pressão sobre a situação mundial do emprego, advertiu nesta terça-feira (29) o diretor-geral da Organização Internacional do Trabalho (OIT), Guy Ryder.

Em um discurso diante do Conselho de Administração da OIT, Ryder referiu-se aos dados publicados pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) em outubro, que revisou para baixo os números relativos ao crescimento mundial – de 3,2% previstos para 2013 para 2,9%, a taxa mais baixa desde 2010. As estimativas para 2014 também foram rebaixadas de 3,8% para 3,6%.

“Esta revisão das projeções reflete as dificuldades enfrentadas pelos principais componentes das economias avançadas, emergentes e em desenvolvimento. Além disso, reflete a difícil situação enfrentada pelas empresas e pelos trabalhadores na economia real”, acrescentou Ryder.

Ele mencionou os níveis sem precedentes de desemprego, a estagnação dos salários em muitos países, um investimento privado abaixo dos níveis anteriores à crise e um setor público sob pressão para reduzir os gastos.

“Estas tendências agravarão ainda mais a situação mundial do emprego”, assinalou.

A previsão é de que o desemprego juvenil, disse Ryder, permaneça alto em muitas regiões e que o trabalho informal continue aumentando, contribuindo para o aumento das desigualdades em muitos países.

Diversos países emergentes ou em desenvolvimento demonstraram maior resistência em relação a crises anteriores, observou. Alguns dos países europeus que foram mais afetados pela crise econômica podem começar a crescer novamente, disse o diretor-geral da agência da ONU.

“Mas, fundamentalmente, existe uma compreensão crescente no mundo sobre a importância de conceder maior prioridade às estratégias centradas no emprego”, indicou Ryder.