Durante encerramento de conferência global realizada em Brasília, diretor-geral da Organização alerta que governos ainda precisam eliminar piores formas de trabalho infantil.

Encerramento da III Conferência Global sobre Trabalho Infantil, realizada em Brasília esta semana. Foto: OIT
O diretor-geral da Organização Internacional do Trabalho (OIT), Guy Ryder, pediu aos delegados presentes na III Conferência Global sobre Trabalho Infantil para levar adiante os planos pactuados no evento em uma ação extensa, sistêmica e sustentável.
O encontro internacional, realizado em Brasília (DF), terminou nesta quinta-feira (10) com a “Declaração de Brasília” (acesse clicando aqui).
“Vocês estabeleceram a relação entre a luta contra o trabalho infantil e a necessidade de avanço no Programa de Trabalho Decente, de implementar os princípios e direitos fundamentais no trabalho, de dar prioridade à criação de emprego, especialmente para os jovens, de estender as medidas de proteção social e fortalecer o Estado de Direito e os sistemas judiciais. O que devemos fazer agora é traduzir esta relação em uma ação urgente”, declarou Ryder durante a sessão de encerramento da Conferência.
O diretor-geral da OIT destacou que, durante as sessões plenárias, surgiram lições aprendidas que demonstram uma crescente compreensão do que é necessário para eliminar o trabalho infantil de maneira sustentável.
Além disso, foi ressaltado que não somente os governos mas também outros atores – as organizações de empregadores e trabalhadores e a sociedade civil – estão assumindo sua responsabilidade e demonstrando uma determinação crescente.
Ryder advertiu que, com a diminuição do número de crianças trabalhadoras, apresentam-se outros obstáculos à luta contra o trabalho infantil. Agora, alertou ele, se trata de chegar até crianças que são difíceis de serem encontradas: crianças-soldado, crianças vítimas da exploração sexual, crianças que trabalham na agricultura e em outros ambientes perigosos.
Ele assinalou que o trabalho para a próxima conferência – que será realizada na Argentina em 2017 – começa agora. Também pediu aos delegados para que façam o possível para reduzir de maneira significativa o número de crianças trabalhadoras até a realização da próxima conferência.
O ex-presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, participou do encontro e disse que a comunidade internacional tem o dever de oferecer às crianças trabalhadoras, particularmente àqueles aprisionados em suas piores formas, a esperança de um futuro melhor.

Lula durante encerramento do evento. Foto: Divulgação/childlabour2013.org
Lula lembrou que foi criança trabalhadora para ajudar a manter sua numerosa família e que mais tarde, como presidente, viu uma criança haitiana mastigar biscoitos de lama para enganar a fome. “O mapa do trabalho infantil no mundo coincide com o mapa da fome e da pobreza, de maneira que o primeiro passo para avançar na luta contra as piores formas de trabalho infantil é coordenar as políticas de distribuição de riqueza no mundo.”
O ex-presidente Lula referiu-se aos gastos para resgatar o sistema financeiro mundial desde o começo da crise em 2008 e 2009, bem como ao custo da guerra do Iraque, e assinalou que a erradicação do trabalho não é um problema de falta de recursos mas de “falta de vontade política e de líderes incapazes de enfrentar este desafio”.
“A grandeza de um país se mede através de sua capacidade de proteger as suas crianças”, concluiu Lula.